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Licença, mas eu preciso te dizer adeus

Desculpa chegar assim meio grotesca, vindo do nada depois de alguns dias em silêncio, é que eu não sei trocar de livro sem finalizar a leitura doutro. Antes de qualquer coisa eu queria te dizer que eu realmente senti amor e tudo aquilo que minha boca pronunciou foram palavras com a mais pura sinceridade que poderiam existir dentro de mim. Eu nunca consegui mentir sobre meus sentimentos, sabe? É que meu olhar sempre transmite tudo aquilo que meu coração transborda, e meu coração...ah, meu coração nunca soube ser econômico.

Queria te dizer que aquela entrevista noutra cidade deu certo e que meu coração agora lida com uma das maiores felicidades conquistadas nesses últimos meses. Você sabe que foi um período turbulento e que vivi tentando encontrar motivos para controlar o negativismo que me rondava por viver algo que não ia ao encontro do meu sonho.

Mas eu também sinto medo, sabe? Nunca fui muito presa a nada, apesar do meu signo odiar mudanças, sempre parti para destinos que me virassem do avesso e me modificassem de todas as formas possíveis. Não vou te falar que as amo, é bem verdade que sinto uma dificuldade imensa ao lidar com elas... mudanças exigem demais de mim, mas são necessárias. Sempre compreendi que a mesmice jamais me tornaria grande do jeito que eu desejo, e eu sei que partir é necessário.

Eu preciso partir e não é só daqui. Mas também queria te dizer que teus olhos me passaram a certeza de uma possibilidade descartada há algum tempo já e, pra ser sincera, eu nunca gostei de olhos claros, porém os teus faziam com que eu me encontrasse em outro olhar.

Dizem que a gente atrai exatamente aquilo que a gente sente e tudo aquilo que a gente é... passei a concordar com isso quando descobri você e é por isso que teus verdes espelhavam tão bem os meus castanhos meio mel.

Nunca fui presa a lugar algum, muito menos a amores. Entendo que pessoas vêm e vão, e tá tudo bem. Compreendo que algumas fazem parte de um curto período e outras permanecem por mais tempo, e tudo bem também. Nunca te menti, por isso te digo que meu coração quis que você permanecesse por mais tempo, mas isso nunca foi possível. Eu jamais saberia lidar com a tua ausência e te assustaria com a minha intensidade. A distância também não seria um fator facilitador pra que essa história vingasse.

Mas eu ainda quero te dizer que eu senti. Experimentei por um curto período de tempo os sentimentos mais verdadeiros que alguém pode sentir. Eu me abri a você em apenas uma tarde porque você foi capaz de quebrar essa barreira que eu vivo construindo após todas as decepções acumuladas nesses vinte e poucos anos de história.

Cheguei a pensar algumas vezes em fortalecer essa barreira e não deixar brechas para que outros a invadissem assim como você fez... mas sabe, ainda acho que essa é exatamente a graça do viver - se permitir a sentir, mesmo que seja por um curto período de tempo, e eu te senti da melhor maneira que pude. Te senti e permiti que você adentrasse no meu peito, fazendo bagunça e deixando a tua marca – mesmo que de leve – no meu coração.

Eu permaneci todos esses dias em silêncio porque compreendi que você precisava de espaço. Mas hoje eu venho te pedir licença porque eu não sei viver afastada e porque eu quero o meu espaço novamente de ser intensa, sinto muito se isso é demais pra você, porém eu jamais vou voltar a me diminuir pra caber em um espaço que não me pertence. Por isso que hoje eu vim te pedir licença, sei que a passagem nunca fui bloqueada, mas nunca soube virar as costas e sair como se nada houvesse acontecido. Então eu venho te pedir licença, pois eu preciso dizer adeus.



fernanda amorim
Taurina com ascendente em touro. Intensa, sonhadora e teimosa. Formada em letras, professora de língua portuguesa, apaixonada pela vida e amante das palavras.

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