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Os Cinco Sentidos do Amor


Bom dia, meu amor. Acordei para escrever no meio da madrugada. Sabe que quando a inspiração e a insônia chegam juntas, não adianta ficar na cama, o jeito é botar a coisa toda para fora do peito e para dentro do papel. Ainda bem que seu sono é pesado e você nem me notou.

Sabe, me sinto nostálgica, além do normal. Bateu aqui uma saudade gostosa daquela nossa viagem recente, mais precisamente de um momento, em especial.

Estávamos sentados em volta daquela mesinha pequena, no pátio daquele forte que virou museu, lembra? O frio era cortante, mas tinha o solzinho para compensar de leve, o que não me isentou de estar vestindo quase todas as roupas de inverno rigoroso que eu havia levado na mala. Em volta de nós, gente de todos os cantos do mundo, falando línguas inintendíveis, uma verdadeira torre de babel.

Lembra que brincávamos de tentar adivinhar de onde aquelas pessoas eram, quais suas nacionalidades? Você errou quase todas, a propósito.

Tinha uma sensação incrivelmente deliciosa naquele dia, naquele lugar, naquele momento. Nada de mais, só um encanto inebriante na simplicidade de estar ali contigo. Eu estava feliz, você estava radiante, éramos só nós dois ali de novo... do que mais precisávamos?
Você se levantou para pedir duas bebidas, afinal fazia parte do nosso roteiro provar os sabores das cervejas daquela terra também. E quando voltou para mesa, além das duas garrafas long neck, você trouxe um prato com uma iguaria local para que eu experimentasse. Ah, como você me conhece, sabe que adoro provar coisas novas, experimentar novos sabores, embora você não quisesse nem tocar naquilo... trouxe só para mim... lembro agora daquele gostinho diferente na minha boca, um doce não muito doce, totalmente diferente, divino. Se o amor tivesse um sabor, diria que era o gosto daquela iguaria espanhola que ganhei do meu bem naquela tarde no bar do museu. Aguçou meu paladar.

Você me estendeu a mão, enquanto ainda estávamos sentados em torno da pequena mesa. Nos tocamos e você reclamou que minha mão parecia um iceberg. E você, sempre tão quentinho, mesmo se agasalhando tão pouco. O encontro das nossas mãos, os opostos, quente e frio, gerou uma sensação boa, né? Se o amor tivesse uma textura, diria que era aquela provocada e gerada pelo entrelace dos nossos dedos. Aguçou meu tato.

Reclamei que a culpa das mãos estarem congeladas era do sol que só fingia estar ali cumprindo seu papel, mas não disfarçava, nem de longe, o vento congelante que parecia cortar meus lábios e o resto do corpo todo. Você então sentou mais perto e me abraçou, me aninhou em volta dos seus braços, dizendo que era para me aquecer. Ah, consigo sentir ainda agora o seu perfume naquele momento sublime do abraço. Se o amor tivesse um cheiro, seria certamente o seu, o do seu perfume. Aguçou meu olfato.

Ficamos ali por alguns instantes, até o calor da sua proximidade me aquecer de fato e, antes de nos desprendermos daquele abraço, você disse bem baixinho em meu ouvido: “continuo te amando tanto”. Se o amor tivesse um som, certamente seria a música que saiu dos seus lábios quando você me disse aquilo. Aguçou minha audição.

E, eu, ainda nostálgica aqui, às três da madrugada, relembrando e ressentindo todas aquelas deliciosas sensações novamente, como se eu fosse agora uma expectadora assistindo aquela linda cena de amor, aqui do lado de fora do cenário, posso dizer que foi a mais linda imagem do amor real que eu já vi.

Que linda aquela visão. Aguçou os meus olhos e me deu a certeza de estar no lugar certo, onde eu realmente deveria estar, me fez ter certeza de minhas escolhas e me fez lembrar de todos os porquês de eu ter escolhido você.

Agora, por favor, não me acorda. Pode sair sem fazer barulho, porque voltei a dormir quando o dia já amanhecia. Vou ficar na cama até mais tarde hoje. Te ligo quando acordar.

PS: também continuo te amando tanto...



ana paula del padre
Administradora. Capricorniana Mãe. Mulher. Intensa. Não necessariamente nesta ordem. Se encantou pela beleza das palavras desde cedo, mas, pelos atalhos no caminho, acabou seguindo outros rumos. Agora, aos 40, com o turbilhão de sentimentos que a maturidade traz, as palavras brotam sozinhas e espontaneamente. Adora desafios, filosofia, pôr-do-sol, abraços apertados, conversas longas e decifrar entrelinhas.

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