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Para os dias mornos


Tem dias que a gente acorda meio assim, sem graça, sem muita vontade, duvidando, principalmente, de nós mesmas. Talvez uma noite mal dormida, uma notícia ruim, alguns minutos rolando o feed de quem deveria ser inspiração, mas hoje, especialmente hoje, sem nenhum motivo aparente, dói. Na era do “tudo pra ontem”, paciência é mais que uma virtude, é uma arma secreta. Eu, mera mortal, consumida pela minha ansiedade e pela saudade das coisas que ainda não vivi, acabo sucumbindo, de tempos em tempos, na tristeza comum dos que ainda não chegaram lá, seja lá onde for.

São dias como esse, onde as vitórias parecem menores e o caminho a seguir longo e sinuoso. A cada item concluído surgem outros dois na lista de tarefas, aumentando a sensação de não sair do lugar. São tantos passos, tantos afazeres, tanto tempo. É impossível não pensar que poderíamos investir todo esse tempo em algo apenas prazeroso. Simplesmente abaixar o som do mundo, das preocupações, das obrigações e apertar o play daquela série nova, acompanhada de um pote de sorvete. Deixar tudo para depois, mesmo sabendo que esse depois não tem hora marcada.
Desse ponto não é difícil começar a duvidar de si mesma, dos seus próprios talentos, das habilidades que desenvolveu, da própria capacidade. Olhar para o lado e achar que todos são melhores, mais potentes, mais eficazes que você. Dar aquele sorriso forçado no canto da boca e libertar aquele pensamento corrosivo de “talvez não seja pra mim, eu devia desistir, não sou boa o suficiente”. É nesse momento que o mundo perde um bocado de saturação e você se conforma. Em pouco tempo, o dia ruim, se torna semanas e em pouco tempo você desistiu.

Abriu mão daquele projeto, daquele sonho, daquela meta. Foi abrindo mão, cedendo espaço para o medo e para a desconfiança, acabou abrindo mão de si mesma. E tudo começou num dia assim, meio sem graça, meio sem gana, sem muita fé. Até que não se reconhece mais, não sonha mais. Dias assim são perigosos, nele germinam nossas incertezas e deles podem brotar sentimentos pesados demais.

A saída? Nutrir todos os dias suas forças, criar raízes fundas em propósitos sólidos. Aceitar que os riscos existem, os medos não somem e que, sim, tudo pode dar errado! Por isso é melhor fazer bem feito, planejado, não perfeito. O perfeito não existe, ele é um ideal do romantismo. O que existe é o esforço, a persistência, o investimento. Invista tempo, suor, fé e dedicação naquilo que te faz brilhar, que te tira o ar, que dá borboletas no estômago. Assim, quando dias mornos vierem, não é difícil se lembrar o porquê de ter começado e você pode até ter um dia off, assistir aquele filme e comer besteira, porque nada vai te parar. Você sabe quem você é e quem não sabe, vai saber.





Lu sá freire
Apaixonada pelo laranja do fim da tarde, pela pureza da dor. Por cães e pelo interior. Tenho a mania de escrever a vida, que se vive e que se vê, acrescentando uma ou duas xícaras a mais de emoção. Jornalista de formação, criadora e criatura da Fala FOX agência de comunicação

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