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QUE TAL DESMISTIFICARMOS AS MERDAS DA VIDA FORA DAS LENTES?

Precisamos falar, cada vez mais abertamente, sobre nossos traumas. Isso nos torna mais humanos, sabe? Muitas pessoas escolhem (e dou meu máximo para não julgá-las, mas falho vezenquando) passar uma ideia de personalidades inalcançáveis, seja pela fama pública ou pela distância nos assuntos pessoais. Se colocam como seres além dos costumes mortais. Não sofrem, não falam sobre os dias difíceis. Divulgar uma perda ou uma dor? Jamais. Em tempos de tanto distanciamento, tanto dito-não-dito, precisamos mostrar o quão comum é estar "na merda". Isso também é representatividade.

Quer um exemplo bobo?

Imagine que aquele ator global acaba de descobrir uma doença autoimune raríssima e está em todas as capas de revista falando sobre ela. Agora imagine uma pessoa “comum” (nunca sei bem como descrever quem não é famoso) que também acabou de descobrir tal doença e tem zero informações ou referências. Pronto! Nasce ali uma quentinha sensação que diz “eu não sou um extraterrestre”. E falo por experiência própria, mas no meu caso sigo me achando um E.T. premiado, já que nunca ouvi falar de famoso com HII (Google it, baby).

Então, sim, acredito que se faz necessário dividirmos os traumas, os machucados, as dores, os dias cinzentos, os dias de enjôo social, de enxaqueca corporativa, de alergia generalizada. Ainda que, muitas vezes, não existam tantos interessados no que temos pra falar.

A gente tem a tendência de deixar o mundo nos convencer de que estamos sempre à beira do exagero, sempre à margem do que é o "correto" ou "esperado" de nós. Não importa o quão equilibrada seja nossa manifestação. Se fala, fala demais. Se cala, fala de menos. Se chama, é insistente. Se não chama, é introspectiva. Se não gosta, é drama. Se gosta, é iludida. Se faz, é ousada. Se não faz, é fresca. Chega!


Eu como boa bela, recatada e do lar, digo: Deixa a gente falar, porra! Deixa a gente doer. Deixa a gente se incomodar. Deixa arder em mim e me deixa reclamar disso. Se tá ruim, eu quero falar sim. Se tá incomodando não é uma bobagem. Se fosse, não incomodaria. Um caroço de milho no teu sofá é uma bobagem, mas fica lá sentado 20 horas em cima dele, pra ver se não vai doer em algum momento. Mesmo que seja depois que você percebeu e o tirou de lá.

Então vamos dividir mais às vezes em que sentamos em caroços de milho da sessão pipoca, as topadas na quina da cama, as doenças, os momentos difíceis. Conta da foto que saiu borrada, do café que derramou na toalha nova, da cólica absurda que te dominou. Fala pro mundo que ter câncer não é como nos filmes, mas também não é uma sentença de morte e que você precisa de palavras positivas e não de despedidas. Expõe pra todo mundo ver que terminar um relacionamento e sofrer até achar que não aguenta mais é sinal de força sim. Não para comover e buscar pena, mas para mostrar que todo mundo tem um tanto de “merda” na vida.

Compartilhe essa ideia no facebook, se quiser. Deixa que sofrer também vire moda no instagram, trending topics no twitter. Use: #merdasdavidareal e mostre o que ninguém vê na sua selfie.




GISELLE FERREIRA
Escreve para não enlouquecer e jura que tem funcionado. Na dúvida, canta também. É feminista, bissexual, afrontosa e defensora do respeito mútuo. Carrega Pernambuco no sangue enquanto seu coração bate em São Paulo. Troca qualquer balada por um cantinho com amigos e um violão.

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