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Segundo domingo de maio

escrito por Mafê Probst

Ela é mulher de fibra, de aço. Tem o coração mais mole que uma gelatina mal resfriada e imenso: nele, sempre cabe mais um. Mais um “filho postiço”, mais um amigo, mais um aluno. Ela ama sem medidas, sem espera. Se o Aurélio a tivesse conhecido, em seu dicionário veríamos seu nome.

Você pede uma mão, ela te empresta o braço. Você pede um almoço, ela te oferece um banquete. Você não pede, mas ela sempre te dá carinho. Você não pede, mas ela reconhece tuas necessidades e, por mais que a gente não fale o tempo todo sobre sentimentos, ou não fale o tempo todo dela, ela está sempre ali, de escanteio, e é peça fundamental para essa vida.

É bonito de ver, sabe? Quando fala dos seus muitos alunos, sejam eles de sete ou trinta e sete anos, tem sempre um brilho nos olhos e um sorriso sincero e dá uma felicidade ímpar e uma inveja branca. É palpável o sentimento: ela ama o que faz. Ela ama o que sempre fez e ama cada um dos muitos que esbarraram com o seu ensino, com o seu pulso firme e com o seu coração mole. Dá pra ver o orgulho nadando nos olhos quando vê a moça, para quem deu aula, sentada atrás da bancada do jornal da noite, ou quando vê um médico, ou advogado e dizer os nomes e dizer como a criança era e como é gratificante ouvi-los, ainda, chamá-la de “tia”.

A cabeça é de vento, mas é uma cabeça de vento seletiva. Pr'aquilo que lhe é importante, pr'aquilo que lhe toca, pr'aquilo que ela não pode falhar, ela não falha. Ela não esquece. E como a gente amaria essa mulher se ela fosse de outra forma? Como amaríamos essa mulher se ela fosse regrada demais, sisuda demais, concentrada demais? É engraçado pensar, mas certamente também a amaríamos. Entretanto, parte do nosso amor está implícito nas pegações de pé, nas implicâncias, na risada. Apesar de tudo, a gente zoa sempre com muito carinho, derramando na risada o tanto de orgulho que transpassa e o tanto de felicidade que pulsa, pela sorte de tê-la sempre perto.

Ela é gata borralheira, mas se transforma rapidamente em Cinderela quando quer. E ela é sua própria Fada Madrinha, autora da sua história, amante do “paz e amor” e tão boa, mas tão boa que, às vezes, chega a ser boba demais. E como me dói ver como tem gente insensível que abusa da sua sensibilidade. Mas é mulher de fibra e de aço. Aguenta. Chora, mas suporta. É professora, madrinha-avó, coordenadora, esposa, dona de casa, chefe de cozinha, juíza, meio de campo, artista, elo... MÃE.

E minha ♥



Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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