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Superar não é esquecer

escrito por Alana Verdi
Hoje eu refiz um pedaço do caminho que eu fazia toda sexta indo para sua casa. Obviamente eu estava indo para outro lugar, mas foi inevitável não lembrar de tudo o que a gente viveu.

O mesmo dia da semana, o mesmo horário, o mesmo banco do ônibus e passei em frente a mesma praça. A praça onde costumávamos passar nossas tardes quando ainda era cedo demais para frequentarmos a casa um do outro.

Lembrei de quando sentei naquele banco pela primeira vez, toda nervosa esperando você, e de como aqueles momentos pareciam eternos. No banco daquela praça eu te contei sobre mim, coisas que eu nunca tinha contado a ninguém. E eu ouvia com atenção cada coisa, por menor que fosse, que você me contava sobre você.

A gente dividia um pacote de bala Fini e você sempre me beijava quando eu estava falando demais.

Eu costumava fantasiar que, um dia, iríamos sentar naquele mesmo banco com os nossos filhos e iríamos rir contando como nos conhecemos.

Durante vários anos, ao passar por aquele caminho e em frente aquela praça, eu bloqueava qualquer tipo de pensamento que me lembrasse você. Na verdade, eu bloqueei você da minha vida em qualquer situação. Eu não me permitia pensar ou lembrar de qualquer coisa que fosse relacionado à você. Eu achava que para te superar eu tinha que te esquecer.

Mas, hoje, quando eu passei em frente àquela praça e nossos momentos automaticamente me vieram à cabeça, senti uma paz interior que há tempos não sentia. Eu sorri como quem tem uma lembrança boa.

Lembrar de você nem sempre é bom, mas, finalmente agora eu consigo conviver com aquelas lembranças e aquilo já não me machuca mais. Obviamente não são coisas que eu lembro todo tempo, mas se, por ventura alguma lembrança vem, eu consigo conviver com ela.

Eu não posso simplesmente apagar da minha mente algo que eu vivi. Enquanto eu tentava apagar, é porque as lembranças ainda doíam. Se ainda doíam, é porque eu não tinha superado.

Mas hoje percebi que não preciso fingir que você nunca existiu. E posso agora lembrar sem mágoas, mas sem querer viver aquilo de novo.

Aprendi finalmente que superar não é esquecer, superar é quando as lembranças já não doem mais.



alana verdi
Itajaiense e apaixonada pela vida. Se eu fosse me resumir em 3 palavras seriam: intensa, sentimental e desastrada. Gosto de coisas simples, enxergar o lado bom de cada coisa e exercitar a gratidão. Escrevo sobre tudo o que faz meu coração florescer.

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