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TALVEZ NÃO SEJA NOSSA HORA DE SER

escrito por Giselle Ferreira

Mas calma, eu te peço. Guarda esse sentir bonito aí num cantinho secreto, que te guardarei num espaço todo teu – como se fosse possível separar um só espaço teu em mim. Lá tem cheiro de preguiça e sabor de quero mais. Lá faz sempre um friozin gostoso e, no som, o amor é sempre tão maior que qualquer temporal. Vê? É todo teu. É todo nosso. E lá a gente não tem hora certa, não tem “se”ou “mas”. A gente pode ter, ser e fazer o que quiser.

Não, não é uma despedida daquelas que a gente detesta. E chora. E se abraça. E chora mais um tanto. É só um “até logo”. Um “até algum dia”. Porque, depois de você, se tem uma coisa que não falta aqui é esperança. Preciso disso, sabe? Precisamos, talvez. O fato é que não dá pra crer que a gente seja só esse hoje mal escrito e mal dito em linhas sempre tão tortas, apesar de claras. Não dá pra viver o que a gente viveu e acreditar que dá pra colocar um ponto final, entende? Talvez sejamos as reticências que evito tanto…

Talvez sejamos a “Outra Vida” do Armandinho e seja só uma questão de tempo, de não ser a nossa vez. Talvez sejamos como os“Amores Possíveis”, do Moska e o tempo assine contrato com a gente, sabe? Que nada mude de agora até o dia em que formos nós, de fato. Vê? Tô te enchendo de “talvez” só pra ver se disfarço a certeza de que somos sensacionais juntos. Só pra ver se convenço – não sei ainda se a você ou a mim mesma – de que pra gente ser e permanecer, talvez seja necessário pausar agora pra dar play lá na frente.

A verdade, mesmo, é que eu não sei bem o que poderíamos ou podemos ser e isso me assusta. Assusta a dúvida, a incerteza, o talvez, o se e os dias vividos cada um de uma vez. Assusta saber o tanto de bagunça e tumulto que tu fazes do lado de cá e não saber se existe um furacão causado por mim também, ou se é só brisa leve de verão – daquelas que a gente curte e depois nem vê quando passou. Eu não quero passar. Eu não quero ser só uma estação e te ver sorrindo quando outono chegar. E se eu não posso ser inteira também, prefiro parar antes que o inverno chegue. Antes que eu precise aumentar o estoque de cobertores pra ver ser acostumo com a tua ausência.

Então, na dúvida, melhor pararmos agora. Melhor a gente se guardar, no quentinho, no cantinho. Melhor a gente ficar sem “se”, sem”mas”. Melhor a gente se guardar numa estação bonita. Não, não é uma despedida daquelas que a gente detesta. E chora. E se abraça. E chora mais um tanto. É só um “até logo”. Um “até algum dia”. Porque depois de você, se tem uma coisa que não falta aqui é amor.



GISELLE FERREIRA
Escreve para não enlouquecer e jura que tem funcionado. Na dúvida, canta também. É feminista, bissexual, afrontosa e defensora do respeito mútuo. Carrega Pernambuco no sangue enquanto seu coração bate em São Paulo. Troca qualquer balada por um cantinho com amigos e um violão.

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