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A ovelha negra

escrito por Tamiris da Rossi

Vi uma imagem no Instagram que me tocou muito, ela dizia: A ovelha negra precisa saber que, na verdade, ela tem sorte por ser diferente. E aí me dei conta que estereotipamos a ovelha negra como algo ruim.

Sempre que falamos "a ovelha negra da família", queremos dizer que é a pessoa que tem mais problemas, geralmente aquela que dá mais trabalho, aquela que deixa todo mundo de cabelo em pé, pelo que faz, seja contraindo dividas, seja sendo a baladeira, seja sendo a que adora uma briga, enfim,
geralmente ser taxada de ovelha negra, é ser taxado de pessoa problema.

Mas fiquei pensando que a ovelha negra pode ser vista de outro angulo.

Se a ovelha negra for vista como a pessoa que questiona padrões, que quer entender que porque as coisas são do jeito que são, que quer achar uma forma mais simples para algumas coisas, que quer encontrar respostas para perguntas que ninguém nunca tenho feito antes, que vai procurar ver o lado
daquele que é taxado como vilão da situação, que vai procurar quebrar algumas repetições que existem em sua família (principalmente no quesito infelicidade), que vai dizer que não é porque sempre foi assim, que precisa ser assim para sempre...

Então a ovelha negra não é algo ruim e talvez seja bom ter uma ovelha negra, porque ela pode inspirar outras ovelhas, não para que elas fiquem negras, mas podem ser uma ovelha cinza ou da cor que quiser, porque ela vai ser uma ovelha que quer se conscientizar, se questionar, procurar entender e saber que é ótimo ser uma ovelha e fazer parte daquele grupo, mas que, pode continuar sendo ovelha mesmo se tiver outra cor.

Não precisa, diria que nem se deve, julgar as ovelhas que sempre foram brancas e nunca se questionaram, afinal, se eu estivesse no lugar delas, na época delas, eu também não me questionaria, mas se eu estou vendo agora que pode ser diferente e mais leve, então posso agradecer as ovelhas brancas — afinal eu vim delas — e tornar mais leve para as ovelhas (todas!) que virão depois de mim.

Há um preço a pagar por ser diferente e fazer a diferença, em geral, ele envolve sacrifícios, lutas, a não compreensão de muitos, dificuldades e uma vontade imensa de desistir, porque fazer parte do padrão parece ser mais fácil e, realmente, não exige tanto, afinal sempre foi assim não é mesmo? Mas, é o que quero? Continuar repetindo padrões que não trazem felicidade pelo simples fato de apenas repetir?

As constelações familiares que há muito tempo fazem parte da minha vida; me ajudam a entender esse processo todo de que certos sofrimentos não precisam ser nossos e podemos cortar o cordão umbilical, quebrar padrões, não por ser rebelde, mas, por perceber que pode ser melhor, que pode ser
mais leve, e que tudo começa com a consciência e muitas vezes é justamente o sofrimento de não conseguir algo que tanto queremos que nos levam a esse entendimento e essa busca pela mudança.

Mas, mesmo estando há tanto tempo nessa busca por mim mesma e por um seguir mais leve para mim e os que virão depois de mim, só hoje, contrariando todas as minhas certezas, é que eu me dei conta de que talvez a ovelha negra da minha família seja eu!



TAMIRIS DA ROSSI
Uma eterna apaixonada por pessoas, palavras, pela vida e seus mistérios. Uma alma em construção, que vive com AMOR por AMOR e acredita que ele é a única força capaz de mudar o mundo..

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