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AJA COM COERÊNCIA

escrito por Laura Aquino
Chegou uma mensagem, foi o que o celular anunciou.
“Sei que disse um monte de coisas horríveis, incluindo o pedido para você ir embora da minha vida. Queria que entendesse que aquela foi a explosão de tudo o que estava se passando pela minha cabeça e despejei em você. Me perdoa por isso? Será que podemos conversar?”. Será que podemos conversar? Será que..."
Estou aqui andando de um lado para o outro no quarto, são duas horas da manhã e essa sua mensagem cara de pau chegou tem uns vinte e cinco minutos. Agora quem quer explodir sou eu. Também sou eu quem quer dar berros e soltar todos os cachorros em cima de você. Quero inclusive te segurar pelos ombros e te dizer, olhando nos teus olhos, que eu merecia muito mais do que tudo o que você já fez um dia.

Tamborilo os dedos no teclado do celular ensaiando não me estender muito, mas...
“Oi... não vai rolar o teu perdão porque eu tenho mais o que te agradecer do que perdoar, ainda bem que foi tão você, só assim eu poderia ver que tem pessoas melhores no mundo. Pessoas que não vão chegar despejando todas as suas dores em forma de ataque. Sei muito bem que não há perfeição e este, haha, é mais um motivo para que eu não volte mais para ti. Você acha mesmo que eu deveria voltar a conversar com você depois do teu sumiço de uma semana? Ou de encontrar com você no bar, depois de me dizer que já estava na cama pronta para dormir? Acha que esqueci quando me mandou aquela música que apagou correndo da nossa conversa e disse ter enviado errado? Eu estava do seu lado e você encaminhando música para outra pessoa, bem aquela que te mandei um dia, mas isso deve ser um fato que se apagou da tua memória. Acha mesmo que vou permitir que desfrute do meu precioso tempo depois de ter deixado por aqui uma bagunça gigante? Sabia que tem dias que nem entro no banheiro de visitas porque sei que tem uma camiseta sua lá? Pois é, você não sabe nada disso e grande parte foi por falha minha que sempre me diminui pra tentar caber no teu pouco tempo livre, também porque você sempre tinha problemas demais para escutar os meus, ou para me dar alguma atenção diferente do fervor de quando ganhava os meus beijos. Li nas entrelinhas que era isso, nós éramos corpo a corpo, nada mais. E apesar de me doer um tanto, prefiro que você não me procure nunca mais, não porque eu lhe queira mal, é só que eu quero muito mais do que todo esse pouco que me ofereceu. Resolva tua bagunça antes de colocar alguém dentro da tua vida. E se colocar, que tenha a decência de dizer que é só um passatempo, é importante deixar claro”.
Meus joelhos se dobraram ao chão e umas lágrimas caíram lentas no canto dos meus olhos. Apertei o enviar e quis acrescentar um único parágrafo: eu te amei bem mais do que podia, bem mais do que eu queria, porque o amor tem dessas coisas de não ter regra nenhuma. De não ter limite e se entregar como se se jogasse de um paraquedas e mergulhasse no mais profundo dos mares, e você, apesar de mar profundo, estava rasa demais e de ir tão fundo morri afogada.

Por gentileza, na próxima, seja coerente e não volte se não houver amor




laura aquino
Geminiana de Franca, interior de São Paulo. Apaixonada por livros, séries, filmes e música. Acredita que a arte move as pessoas para o que elas têm de melhor. Vive no mundo da lua e escreve seus devaneios num emaranhado de palavras que no finala acabam fazendo algum sentido. Ou não.

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