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Entre tantas escolhas, eu escolhi você!

escrito por Thaís Zanetti

Poderia ser mais um dia comum até que eu recebi o resultado positivo. Parabéns! Eu estava grávida. Todo aquele papo me deixou tonta, fiquei um pouco nauseada, contudo, segurei os sintomas e disfarcei. Mais uma vez eu estava fingindo, aceitando, aturando e agradando. Eu não sentia a menor vontade de estar ali. Andava sufocada de verdades que nunca foram minhas, por longo período fui engolindo os “nãos” que nunca pude dar; amargaram nos lábios inúmeros pedidos de socorro; as lágrimas surgiam nos olhos feito tempestade e os gritos trovejavam ira no ambiente. Este é o resumo perfeito das 40 semanas de gestação da minha filha.

Meu corpo recebia sinais de alerta, perigo eminente, outra vez e muitas vezes estive ali em meio a um turbilhão. Toda aquela toxicidade se repetia nos diversos contextos do meu cotidiano. Pedia em oração que tudo acabasse, sofria e me sentia culpada por expor minha filha, em prantos lhe pedia perdão. Acreditava que após o parto, tudo poderia melhorar — mera ilusão. Eu havia sido diagnosticada com depressão, a famosa DEPRESSÃO PÓS-PARTO. Nesta altura do campeonato, precisei fazer escolhas, ainda não havia conseguido amamentar minha pequena, contudo não poderia se optasse por tomar o tal do antidepressivo.

Meu corpo não aguentaria mais um minuto de dor, optei pela medicação e pela saúde, tanto minha, quanto dela. Medicada, me tornei uma sobrevivente, minha filha era um anjo, um bebê saudável e feliz. No vigésimo quinto dia do puerpério acordei para a próxima mamada e tomei um susto quando vi o relógio, ela havia dormido a noite toda. Minha parceirinha sinalizava que eu não poderia mais adiar o inadiável: o divórcio. De nenhum modo meus “desafios” acabariam com o término do meu casamento, pelo contrário, a minha catarse estava apenas começando.

Você em algum momento deve estar se perguntando: qual a moral dessa história? A moral está em acreditarmos que não importam as circunstâncias, a complexidade, a gravidade do “desafio”, sempre podemos fazer uma escolha. Escolha Você! Acredite em você! No meu exemplo, eu entendia que depressão não era frescura, não era birra e muito menos opção. Ninguém deseja vestir sua pior versão. Ninguém escolhe estar em uma relação tóxica e abusiva.

A depressão mata e eu desejava o fim, que a dor acabasse. Hoje reconheço que o que me salvou foi um sentimento chamado “EMPATIA”. Naquele período, eu tive apoio de muitas pessoas, isso me fortalecia, eu queria uma explicação para esse sofrimento, li muitos livros religiosos, psicanalíticos e motivacionais. Pesquisava sobre aquelas verdades absolutas que todos jogavam na minha cara. 

Seguia receitas milagrosas e nada resolvia, pois era sempre a vontade do outro. Nunca desisti de entender e lamentavelmente hoje eu tenho uma resposta. Eu estava vivendo para agradar os outros, os sinais eram claros e evidentes, eu os neguei totalmente. Neguei a mim mesma durante muito tempo, neguei minhas vontades e meus desejos, neguei a minha essência. Arrisco a dizer que a grande maioria dos nossos problemas seriam resolvidos se passarmos a dizer o NÃO com mais frequência.

Eu aprendi a dizer NÃO e nada mudava, pois, continuava focada no outro. Precisei desaprender a dizer somente “NÃO” e tive que escolher mais uma vez. Escolhi optar pelo equilíbrio, pois, se não tivermos cautela, acabamos por focar somente em negarmos as vontades de outrem e esquecermos de dizer SIM para nós mesmos. Sempre seja o seu principal FOCO!

Seja sua principal ESCOLHA!



THAÍS ZANETTI
Fotógrafa e Terapeuta Holístico. Formada em Tecnologia da Logística Empresarial, possui MBA em Coaching em Liderança na Gestão de Pessoas. Atualmente se dedica ao Olhar Afrodite um projeto fotográfico que propõe uma reconexão com empoderamento pessoal. Palestrante, Reikiana e Consteladora, transformou a fotografia em ferramenta terapêutica e de cura da autoimagem.


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