pare com esse jogo se ele não te interessa

escrito por Mafê Probst
Não gosto de pessoas que fingem ser o que não são para conseguirem o que não querem.

Convenhamos, se alguém te quer, mas quer de verdade, não faz joguinhos, caras e bocas pra te ter por uma noite, por um momento, por uns dias. Se quiser, de verdade, a pessoa é aquilo que é, quer você goste — e espera mesmo que goste — quer não.

Senão, qual o propósito, afinal?

Fazer-se de conta pra depois cansar de atuar, deixar cair máscaras e ir matando o encanto? Podem me dizer o que for: que é normal minimizar o encanto, o desejo, as trocas de olhares. Eu não concordo! Não concordo e ponto! Eu sei o que é sentir borboletas no estômago por meses a fio e não havia rotina que expulsasse o frio da barriga. Eu sei o que é pensar e repensar mil maneiras de surpreender pra agradar e sei qual é a expectativa de não saber o que encontrar, o que esperar, o que virá do amanhã. E eu sei que é bom e que não tem fórmulas pra isso. E nem trabalho, afirmo. É fácil. E eu sinto falta.

Então eu não sou dessas pessoas que fingem ser o que não são.

Eu sou desse jeito meio sem sal, meio com pimenta, levemente agridoce. Se não gostar, não adianta, a receita vai ser sempre a mesma. Sou isso e pronto.  Se não há certeza agora, não vai ter certeza depois, porque não vai mudar. Eu não vou mudar. Amadurecer, claro, mas o resto não vai mudar...

Sendo assim, porquê é que muda?

Porquê é que desencanta? Alguém foi o que não é, o que não seria, o que não vai ser? Vai ser culpa da rotina? Quem é que se apega a rotina e deixa que a rotina se apegue? Se entrega, culpa os dias, culpa as horas em excesso, não sabe se dividir, tampouco se divertir. Mata-se o "amor" pouco a pouco.

Morre-se um pouco também. Definha.



Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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