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Não é o fim do mundo

escrito por Alana Verdi
Eu era (ou ainda sou às vezes) a típica pessoa que faz tempestade em copo d'água. Deve ser por causa da minha intensidade ou até um pouquinho pela minha tendência ao perfeccionismo. É, eu sei que tenho lá meus exageros. Mas o problema é quando isso me faz sofrer. Quando faço uma simples garoa, virar uma catástrofe.

Eu sempre odiei, por exemplo, chegar atrasada nos lugares.

Um dia eu me organizei para sair cedo e chegar na terapia no horário. Mas o ônibus passou antes e o outro demorou. Eu ia me atrasar pelo menos 10 minutos. Atrasar 10 minutos, para mim, é desesperador e aquele atraso foi suficiente para que eu ficasse chorando no ponto de ônibus igual criança.

Quando eu cheguei no consultório e contei para minha psicóloga, eu achava que ela ia me elogiar pela preocupação de ser pontual. Mas ela me ouviu com atenção, olhou para mim e disse: "Não é o fim do mundo! Você se desesperar, ficar ansiosa e chorar ia fazer com que outro ônibus passasse logo? Então não adianta ficar assim."

Embora eu não esperasse essa resposta, ela mudou minha percepção sobre as coisas.

Depois desse dia eu passei a ver praticamente tudo de um modo diferente. Com essa frase "Não é o fim do mundo", eu aprendi a enxergar as coisas como elas realmente são. Sem diminuí-las a ponto de se tornarem sem importância, mas também sem aumentá-las a ponto de dar mais importância do que realmente tem.

Eu também aprendi que algumas coisas fogem do nosso alcance e que não temos o controle de tudo. Chorar, gritar, espernear... não vai mudar essa situação. Sofrer pelo que não está no nosso controle é tolice. Mas, mesmo em situações que não estão sob nosso alcance, temos controle das nossas reações e ações.

Eu não posso voltar no tempo, não posso reverter a situação. Mas e agora? O que eu posso fazer à partir de agora nessas circunstâncias? Entrar em desespero, se arrepender ou se culpar não é uma opção.

Não é o fim do mundo perder um ônibus, chegar atrasado, cometer um erro ou quando as coisas não saem como a gente espera. O fim do mundo é quando a gente se desespera, quando a gente perde a esperança.

Se lamentar é o fim do mundo e ainda não faz as coisas mudarem. Mas a gente não vive de fins e sim de começos e recomeços.



alana verdi
Itajaiense e apaixonada pela vida. Se eu fosse me resumir em 3 palavras seriam: intensa, sentimental e desastrada. Gosto de coisas simples, enxergar o lado bom de cada coisa e exercitar a gratidão. Escrevo sobre tudo o que faz meu coração florescer.

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