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Não me venha com desculpas tortas

escrito por Mafê Probst
Eu poderia começar citando o maior abandonado Cazuza, cantando desafinada que mentiras sinceras me interessam, mas as coisas não são bem assim. A verdade é que estou farta dessas falsas verdades que você conta, cada vez que vem com as mãos no ar, rendendo-se e me presenteando com qualquer desculpa. É sempre o trânsito que está caótico. É sempre o trabalho que está cheio. É sempre os amigos que precisam de uma companhia para uma cerveja. E eu ali, esmagada entre um horário vago e outro, escondida entre teus lençóis, catando migalhas do teu amor por qualquer canto dessa casa vazia.


Não pense que é mesquinharia minha. Eu não menti nenhuma das vezes quando disse que estava tudo bem para mim. Porque estava. Você sempre foim sincero quando me contou das tuas coisas.Você antecipava tuas horas extras e me mandava mensagens, dizendo que chegaria mais tarde e que sentia saudades. Mas hoje eu vejo que não sou mais suficiente. E todas as vezes que tentei te mostrar isso, você veio cheio de desculpas tortas, dizendo que eu estava transformando em tufão uma brisa qualquer.

Você não vê a tempestade que está aqui dentro. Você não enxerga o caos que mora dentro de mim e não faz ideia do tanto de amor que sinto. É uma merda, garoto, porque eu sei de todas as tuas mentiras, de todas as tuas desculpas esfarrapas e, ainda sim, eu fico. E vejo você ir, pouco a pouco. Vejo você se aventurar pouco a pouco. Vejo você ficar bom nessas desculpas que me dá cada vez que madruga, cada vez que deita ao meu lado, beijando doce minha testa e desejando um boa noite sussurrado, para logo virar de lado e me deixar ali, sozinha, guardando o amor debaixo dos lençóis.

Eu cansei, boy. Cansei das tuas desculpas, cansei de mendigar e cansei desse amor que sinto. Quero jogar tudo fora. Pôr os pingos nos is. Chorar tudo que há para chorar e dizer tudo que há para te dizer. Porque há muito para dizer, boy. Tem tanta verdade enclausurada aqui dentro que temo morrer de silêncio. Mas aí eu calo. E fico. Porque maior que as tuas desculpas tortas, são as desculpas que invento para ficar.



Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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