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Sol da meia-noite

escrito por Ana Paula Del Padre
(ler enquanto ouve Xavier Rudd - Follow the Sun)

Abro os olhos e, de imediato, sinto a luz do sol ir ao meu encontro antes mesmo de eu sair da cama. Tudo está tão claro, alvo e iluminado por aqui, como há muito não esteve. Que delícia começar o dia assim. Recebida de braços abertos pelo calor, abraçada pelo fulgor, acarinhada pelo astro-rei.

Ainda em meu leito, o mormaço do sol matinal que invade gentilmente o quarto começa a me aquecer.

Arejo minha mente. Trato todos os pensamentos que passam por mim como nuvens. Permito que os mais insistentes cheguem, entrem, fiquem meros instantes, deixo-os passar por mim e irem embora. Fico livre deles, fico leve. Abro espaço para novas ideias chegarem quando for a hora.

Respiro aquele dia que chega, inspiro a luz que ele traz. Expiro os restos do ontem, aquilo que já não me serve mais. Encho meu pulmão de todo o ar que lá possa caber. Retenho por alguns instantes e solto logo em seguida, esvazio tudo. Sinto-me pronta. Renovada.

Usufruo do benefício daquela claridade ardente em mim. Confesso que uma lágrima quis brotar perto do canto do olho esquerdo, trazida por lembranças involuntárias dos momentos incertos de antes. Já não luto mais contra quando elas querem escorrer pelos olhos. Aceito. Recebo-as, abraço-as, derramo-as para fora dos olhos, para longe da alma e logo passa. Sinto-me livre. Plena. Espaço liberado para abrigar mais sorrisos agora.

Estou sozinha, mas não solitária. Não sinto solidão, mas faço questão desta solitude. Gosto de estar comigo. Preciso, aliás. Depois deste exercício matutino, estou apta a sair da cama, tomar uma chuveirada, um café extra forte bem quente e encarar o mundo lá fora. De frente. De igual para igual.

Levanto-me, vou até a janela, abro as cortinas e vejo que está nevando lá fora e o vento sopra com força. Pouco importa! Estou aquecida o suficiente. Levo meu sol interno comigo, onde quer que eu vá. Sou meu próprio sol. Vivo na luz. Sou chama que não se apaga.




ana paula del padre
Administradora. Capricorniana Mãe. Mulher. Intensa. Não necessariamente nesta ordem. Se encantou pela beleza das palavras desde cedo, mas, pelos atalhos no caminho, acabou seguindo outros rumos. Agora, aos 40, com o turbilhão de sentimentos que a maturidade traz, as palavras brotam sozinhas e espontaneamente. Adora desafios, filosofia, pôr-do-sol, abraços apertados, conversas longas e decifrar entrelinhas.

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