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A dor e a delícia de ser o que é

escrito por Alana Verdi
Tem uma música do Caetano Veloso que fala que "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". Eu simplesmente amo essa frase.

As pessoas nos rotulam, rotulam nossa vida, ditam como devemos ser, como devemos agir e o que devemos sentir. Elas tem uma resposta pronta para todos os problemas que a gente enfrenta. Esses conselhos são como ir ao médico e receber apenas uma receita para a dor passar, sem ao menos ser examinado o que está a causando. E esses “remédios” são receitados sem se pensar nos efeitos colaterais.

Às vezes a gente vive em equilíbrio (ou desequilíbrio) nessa fase de aceitação de quem a gente é. Ninguém se odeia ou se ama 100%. É sempre um paradoxo. E só a gente sabe o que a gente sente. Só a gente sabe o quanto dói ser quem a gente é, quando o que a gente é vai contra o que a sociedade dita.

Ser intenso(a) demais? É burrice, a moda agora é o desinteresse – dizem eles. E realmente quando você é intenso(a) demais, você se machuca demais também. Mas você não consegue ser diferente não é? E por que teria que ser, sendo que é uma delícia ser assim? Você nunca vai se culpar por não ter feito, não ter dito, não ter sentido e não ter demonstrado algo. Afinal, você é intenso(a) demais pra esconder algo de alguém.

As pessoas nos elogiam e exalam nossas qualidades, mas só a gente sabe como dói às vezes mantê-las e tudo o que a gente passou para ser hoje quem a gente é. As pessoas apontam, criticam os nossos defeitos, mas só a gente sabe o quanto cada defeito faz parte da nossa essência e quão importantes são para nos manter de pé.

A verdade é que ser quem a gente é pode doer, mas dói mais ainda ser a imagem dessa sociedade de robôs, que tomam decisões por você e que ditam o que você precisa ser. Ninguém é feliz sendo sombra ou espelho dos outros. É um grande desafio mostrar nossas qualidades e mais desafiador ainda é mostrar nossos defeitos. Mas a gente não deve ter medo de mostrar quem a gente realmente é.

Não devemos ter medo de dizer sim e muito menos dizer não só para agradar os outros. E daí se eu gosto de uma banda que todo mundo acha ruim? E se eu odeio aquela série que está todo mundo falando? Se minhas roupas estão fora de moda, se meu cabelo está estranho, se eu uso muita maquiagem ou se eu não gosto de usar maquiagem? Se eu prefiro ficar em casa assistindo série do que ir pra baladas ou se eu gosto muito de sair? Se eu quiser trancar minha faculdade pra viajar ou se eu quiser trancar pra estudar algo que tem mais a ver com o meu sonho mesmo que não dê tanto dinheiro assim?

Se sou frio(a) demais, se sou intenso(a) demais, se falo muito, se falo pouco, se sou sentimental, se sou tímido(a), se sou extrovertido(a), se sou da esquerda, se sou da direita ou se não sou nenhum dos dois. Só eu sei meus motivos por ser assim.

A gente não precisa ignorar completamente as opiniões e os conselhos dos outros. Mas que a gente saiba filtrar somente o que nos cabe, o que nos serve. Pois só a gente sabe o que é melhor pra gente.

A nossa autenticidade pode ser um doloroso processo para se conquistar, mas quando a gente a conquista é deliciosamente libertador.



alana verdi
Itajaiense e apaixonada pela vida. Se eu fosse me resumir em 3 palavras seriam: intensa, sentimental e desastrada. Gosto de coisas simples, enxergar o lado bom de cada coisa e exercitar a gratidão. Escrevo sobre tudo o que faz meu coração florescer.

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