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A Menina que Roubava Livros

escrito por Carol Pedrosa
Um livro lindo e emocionante, transformado em um filme igualmente terno e belo.

“A Menina que Roubava Livros”, lançado em 2005 e escrito por Marcus Zusak, conta a história de Liesel Meminger, uma menina alemã que é adotada por um casal mais velho e com eles passa a residir durante os anos de Segunda Guerra Mundial.

Parece mais uma história de guerra, porém a forma como é contada destaca-a das demais. O livro é narrado pela morte, que se encontra com a menina três vezes e decide acompanhá-la por sua vida, narrando seus acontecimentos. Parece mórbido, mas não é, pois a escrita flui de uma maneira encantadora, desenrolando a história de Liesel de uma forma madura e poética.

Além do mais, como sugere o título da obra, Liesel se encanta pelos livros e passa a roubá-los, vez que passam a ser mal vistos.

Ao roubar livros, Liesel conhece pessoas, lugares e transporta-se para outros mundos. Também afronta a ordem vigente, que dizia como a população deveria pensar e agir. Este ato simboliza a manutenção da história, da identidade e do conhecimento que naquele momento estavam sendo perdidos (a cena em que os livros são queimados faz doer o coração de qualquer leitor).

Ainda, a relação de Liesel com Max, o judeu que sua família acaba escondendo, mostra que nos lugares e pessoas mais inesperados, podem surgir grandes amizades, bem como que são nesses momentos que descobrimos quem realmente somos.

Com personagens marcantes, cenas deslumbrantes e um judeu no porão que mostrará para Liesel que para tudo existem dois lados, não se surpreende que o cinema tenha se interessado.

O filme homônimo, lançado em 2014, traz um elenco estelar, composto, dentre outros, por Geoffrey Rush e Emily Watson, e transporta a atmosfera idílica do livro para as telas.

A fotografia é linda, assim como a trilha sonora. O coração da história se mostra presente, sendo o enredo bem fiel ao original.

A maior diferença, na minha visão, é o fato de a morte não narrar toda a história, como ocorre no livro, o que tornaria o filme cansativo. Ao revés, a morte faz narrações pontuais e que acabam por enriquecer as cenas em questão.

O filme tem ar de fábula, mas traz uma história forte e interessante. Ressalta não só o poder do amor, da amizade e da compaixão diante das dificuldades, mas da palavra e da leitura. Mostra que o conhecimento e a história não se perdem enquanto houver quem queira preservá-los.

“A Menina que Roubava Livros”, tanto o livro quanto o filme, é para mim uma declaração de amor à vida e à literatura. Que continue encantando por muitos anos.




carol pedrosa
Ariana, apaixonada pela vida e pelas palavras. Não acredito em definições, mas em transformações. Em ser cada dia uma versão melhor de mim mesma. Em viver no agora, sem medo de arriscar. Acima de tudo, acredito no amor. 

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