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Eu gosto de gente que...

escrito por Gabrielle Roveda

Eu gosto de gente com riso fácil, com loucura na cabeça. Gente que dança na rua ao escutar sua canção preferida sem se importar com o que vão pensar. Gente que aceita viajar com alguns trocados no bolso e uma barraca como bagagem. Gente que leva mais livros na mala do que roupas, que topa passar um feriado colocando em dia a lista de filmes não vistos.

Gente que toca música com a alma, gente que beija com calma e abraça apertado. Gente que faz cafuné, que esmaga a bochecha. Gente que vai no mercado de pijamas e pantufas, que espirra engraçado. Gente que quando ri a risada é o motivo maior das gargalhadas. Gente desastrada, que cai e finge que tá correndo, que bate o dedinho na quina dos móveis e solta palavrões.

Gente que gosta de café e come pizza sem se importar com as calorias. Gente que faz comida e pede para provar se está bom de sal, que come sorvete e te lambuza de brincadeira. Gente que não se importa com a fotografia que saiu estranha e sim com o momento que ela pegou do tempo.

Gente que entrelaça as mãos e diz que te ama sem medo. Gente que explode em sentimentos e que pode ser frio por um curto espaço de tempo, mas não deixa o tempo ruim durar. Gente que faz apostas de quem chega mais rápido, quem come mais rápido ou de quantos marshmallows consegue colocar na boca e continuar falando.

Gente que faz piada do teu cabelo quando acorda, gente que diz que sem maquiagem teu rosto é mais bonito, que faz constelações com as tuas sardas ou pintinhas pelo corpo. Gente que tem ciúmes bobo de paixão platônica, gente que te provoca e satisfaz.

Gente que gosta do frio e do calor, mas mesmo assim prefere as estações meio-termo. Gente que empresta o fone e divide as piores músicas contigo, que afina teu violão e te ouve tocar sem coordenação, gente que canta alto músicas que marcaram a infância, gente que dança coreografias da xuxa sem vergonha nenhuma. Gente que te acompanha nas tuas maluquices.

Eu gosto de gente que gosta da essência de ser gente.



gabrielle roveda
1997. Escritora de gaveta, bailarina por paixão e sonhadora sem os pés no chão. Do tipo que vive mais de mil histórias pelas páginas dos livros, daquelas que quer viajar o mundo só com uma mochila nas costas, do tipo que acredita no amor a todo custo e dispensa de imediato pessoas sem riso fácil. Não sabe fazer nada direito, mas insiste em acreditar que o impossível é só uma daquelas palavras que vão cair em desuso e se vê tentada a tentar de tudo. Viciada em café e em escrever cafonices sobre si e o amor sem dizer nada ao certo. 

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