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Holocausto Brasileiro, Daniela Arbex

escrito por Laura Aquino


Daniela Arbex, jornalista brasileira que se dedica à defesa dos direitos humanos, escreveu Holocausto Brasileiro para contar a terrível história do Hospital Colônia de Barbacena – Minas Gerais, fundado em 1903 para cuidar de pessoas com transtornos mentais, dentre elas, muitas não tinham nenhuma restrição mental.

Nestas internações deram entrada mulheres que eram taxadas como loucas por lutar por seus direitos e não se contentarem com o patriarcado, também homossexuais e pessoas com alguma deficiência física em que a família se desinteressava em cuidar em casa.

Um dos casos que mais me chamou atenção foi de um garotinho que era tímido e foi enviado no trem dos loucos para a cidade dos loucos para que fosse tratado de algo que não era um problema, sua mãe em sua simplicidade acreditou no discurso de que aquela era a melhor opção e, a partir disso, nunca mais viu seu filho.

Este livro é daqueles de leitura densa, pois causa a sensação de dificuldade de engolir por saber que toda aquela situação aconteceu com seres humanos que foram em busca de ajuda ou de famílias que acreditavam que teriam seus entes bem cuidados.

O que acontecia naquele ambiente era de uma atrocidade tamanha, que houveram cerca de sessenta mil assassinatos e ganho de cerca de seiscentos mil reais com tráfico de corpos para universidades. Muitos não tinham o que vestir, ficavam expostos ao frio e a morte. A comida não era cabível de ser servida a qualquer ser vivo. Tantos foram deixados para morrer, pois era um custo e uma despesa com a qual o hospital não se importava.

A autora nos relata uma parte da história do nosso país que não pode de maneira alguma ser esquecida. Daniela joga luz nos nossos olhos neste assunto que pouquíssimo se fala nas escolas, nos encontros de amigos e na vida. É preciso falar do que nos aconteceu para que não se repita.



laura aquino
Geminiana de Franca, interior de São Paulo. Apaixonada por livros, séries, filmes e música. Acredita que a arte move as pessoas para o que elas têm de melhor. Vive no mundo da lua e escreve seus devaneios num emaranhado de palavras que no finala acabam fazendo algum sentido. Ou não.

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