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Oásis Particular

escrito por Ana Paula Del Padre
Naquele tempo, quando os dias apresentavam-se cinzas diante de mim, escuros, frios, inóspitos, nada hospitaleiros, era para lá que eu corria, me refugiava, pois naquele lugar eu recebia todo o calor que me aquecia o sangue, a alma e o coração, sem contar que ali eu podia ver bem de perto todas as cores do arco-íris.

Quando a tristeza chegava de mansinho ou escancaradamente, em forma de decepções, cansaço, arrependimento, culpa ou quando as lágrimas escorriam insistentes, era lá que eu ia para secá-las e procurar um pouco de sorrisos. E era naquele local que eu os encontrava, aos montes, me esperando de braços abertos sempre que eu chegasse.

Quando as dúvidas batiam, castigavam, me faziam perder totalmente o norte, o rumo, a direção, lá eu encontrava todas as respostas. T-O-D-A-S. Uma a uma elas vinham ao meu encontro quando eu lá chegava, às vezes óbvias, outras vezes sorrateiras ou hesitantes. Mas era lá que elas sempre estavam. Mesmo que no mais absoluto silêncio, tudo o que eu precisava ouvir, todas as minhas dúvidas eram sanadas exatamente ali.

Quando a vida vinha vestida de tédio e se mostrava sem sentido algum, encontrava ali o agito e o balanço que me faziam vibrar de novo diante dos dias. Lá estava o sentido de tudo. Ali eu conseguia reencontrar-me comigo mesma.

Mas lá também era paz, sabe... quando eu estava muito agitada, eufórica, elétrica, a paz me esperava lá, o silêncio, a meditação. Poucos instantes que eu passasse e parasse ali eram suficientes para me equilibrar novamente, para me colocar de volta na trilha que eu precisava percorrer. Lá eu me renovava. Saía dali pronta para enfrentar a vida que me esperava do lado de fora.

Lá dentro tocavam as melodias que eu mais gostava de ouvir e era lá também que eu sentia o perfume mais cheiroso do mundo inteiro.Era bem ali, dentro do seu abraço, que meu oásis particular morava.

Por isso, quando você se foi, até doeu um pouco, mas reaprendi a caminhar sem ti, de verdade. Mas bem que você poderia, antes de ir, tê-lo deixado aqui: o seu abraço, o meu oásis. A falta de ti eu superei há muito tempo, mas a dele, confesso, ainda não consigo lidar.

Porque quando por aqui esfria, escurece, brotam lágrimas, falta o chão, pintam uns grilos, sei lá, parece que não tenho mais para onde ir.

Sinto que sem meu oásis, sou puro deserto.



ana paula del padre
Administradora. Capricorniana Mãe. Mulher. Intensa. Não necessariamente nesta ordem. Se encantou pela beleza das palavras desde cedo, mas, pelos atalhos no caminho, acabou seguindo outros rumos. Agora, aos 40, com o turbilhão de sentimentos que a maturidade traz, as palavras brotam sozinhas e espontaneamente. Adora desafios, filosofia, pôr-do-sol, abraços apertados, conversas longas e decifrar entrelinhas.

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