icones sociais

ONDE ESTÃO MEUS HERÓIS?

escrito por Thaís Zanetti

O dia em que endereçarmos todas as demonstrações de carinho, amor, gratidão, emoção, sentimentos e afetos aos pais, está chegando. Comemora-se no segundo domingo do mês de agosto esta data tão especial e as crianças, provavelmente, já estão ensaiando suas homenagens coreografadas, musicadas e emocionadas junto com as professoras, as mães, as avós e tantas outras que se desdobram em mil para atender a demanda do frenesi sentimental dos infantes.

Cada texto que escrevo para o blog, tenho o cuidado de trazer um convite à reflexão. São aprendizados que trago do meu cotidiano, que me fazem expandir de pouco e em pouco a minha consciência gerando sempre o autoconhecimento.

Os meses passados foram extremamente intensos, interessantes e instigantes, principalmente os últimos dias desse período. Mais ou menos um ano atrás, eu pautava as minhas experiências com bandeiras e discursos que limitavam a participação masculina na minha vida — não me refiro ao relacionamentos amorosos e sim ao "homem da minha vida": meu pai. Eu discursava bravamente sobre machismo, patriarcado e intolerância, contudo há sempre aquele momento em que olhamos para o espelho e caímos na introspecção.

Não estou desvalorizando o movimento, longe disso, o fato é que a teoria não estava mais fazendo sentido na prática. Eu e tantas outras mulheres tínhamos o título de "mulher-macho" e "pãe" (pai e mãe), era um epidemia coletiva (a taxa de divórcios e o número de crianças registradas sem o nome do genitor aumentou drasticamente), isso tudo é assustador. O fato é que, quanto mais me sentia vítima, menos controle da situação eu tinha. Logo eu, uma virginiana das boas, estava perdendo o controle da situação.

Comecei a questionar: Todo aquele discurso estava me ajudando? Falava sobre intolerância e será que eu era tolerante? Eu "militava" contra o machismo e era uma mulher-macho? Cobrava a pensão alimentícia na justiça sendo a pai e mãe da minha filha? Não fazia o menor sentido! Tinha alguma coisa errada!

O contrassenso era visível e nesta fase já tinha conhecimento da psicologia analítica e o estudo de arquétipos. Segundo Carl G. Jung, um dos seguidores de Freud, nem todos os "problemas" da nossa vida adulta estão diretamente ligados ao relacionamento conturbado com os nossos pais, especificamente nosso "Pai". Existe uma grande diferença entre genitores e pais. Já ouviram dizer que pai é quem cria, não quem faz? Exatamente sobre isso que vou explanar.

"Pai" é um arquétipo poderoso e foi muito mal utilizado por longos períodos. E o que isso representa? Vos digo: Cheguei a conclusão que as mulheres são excelentes em tudo que fazem e, para haver a mudança que tanto almejava, era preciso mudar minha relação com o masculino, principalmente com o primeiro homem da minha vida, meu pai. Contudo, percebi que não me relacionava bem com o arquétipo patriarcal, o que o arquétipo “Pai" simbolizava no inconsciente coletivo, ou seja, no senso comum, que no final das contas não é nada positivo.

O tempo se encarrega de por cada peça em seu lugar, somos apressados, porém, as leis universais não falham. Eu estava tão "machucada" que não enxergava a grandeza do ser pai. Infelizmente, escolhi o caminho mais longo, este que me levou as situações não tão floridas.

Eu vi o amor incondicional de dirigentes religiosos que abdicaram de suas vidas pessoais pelo coletivo (Padres e Pai de Santo); Presenciei um pai segurar as lágrimas da morte de um filho para amparar sua esposa; Conheci pais que criam os filhos sozinhos; Padrastos e Pais compartilham a criação dos filhos e tem também os Avôs-pais, Tios-pais e Irmãos-pais.

Existe também aquele tipo de pai que é "durão". Sabe, aquele que peca pelo exagero de cuidados, enche seus filhos de regras e proibições, capricha no discurso e chamadas de atenção. Vou finalizar este texto com um grande aprendizado que tive com esse "tipo de pai".

Eu o conheci de uma forma um tanto inusitada, a qual não fará a menor diferença no contexto, ele me contou que estava muito preocupado com seu filho que, em um período muito breve, se tornaria pai também. Este pai tinha sido muito severo com o filho e principalmente consigo mesmo. Toda aquela braveza podia ser traduzida em medo. Medo que a vida o levasse para longe e assim se fez.

Foram longos anos de distância, até que a comunicação se fez presente, o pai se arrependera amargamente de perder o precioso tempo "brigando" ao invés de brincar.com seu amado filho. O filho sempre representou a leveza da sua paternidade. Ele, o pai, esperou o momento certo de fazer "as pazes" com o filho abençoando a chegada do neto. O vínculo de Amor de um pai é profundo e sagrado.

Não sejamos tão rígidos uns com os outros. Cuide bem da sua criança interior e, se seu pai não foi tão bom para você, lembre-se que ele também é resultado do Patriarcado, o arquétipo do "Pai Mal". Dê uma nova chance para ele e, principalmente, dê uma nova chance para você! A maior revolução começa de dentro para fora! Se não puder fazer as pazes com o seu Pai, faça as pazes com você!

Precisamos mudar o paradigma! Todos ainda estamos aprendendo o que é o amor!



THAÍS ZANETTI
Fotógrafa e Terapeuta Holístico. Formada em Tecnologia da Logística Empresarial, possui MBA em Coaching em Liderança na Gestão de Pessoas. Atualmente se dedica ao Olhar Afrodite um projeto fotográfico que propõe uma reconexão com empoderamento pessoal. Palestrante, Reikiana e Consteladora, transformou a fotografia em ferramenta terapêutica e de cura da autoimagem.

Comentários

Instagram