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ASAS BRANCAS

escrito por Thaís Zanetti
A primeira vez que eu ouvi dizer que as borboletas, após saírem do casulo, tem o tempo estimado de vida com a duração de 24 horas apenas, fiquei totalmente chocada com a informação em questão. Na minha mente, era inadmissível e inaceitável, depois de tanto esforço, tanta metamorfose, observar que a “pobre lagarta” teria pouco tempo para desfrutar da sua nova fase, a liberdade de ser “borboleta”.

Fiquei deprimida pensando sobre esse processo de transmutação da lagarta em borboleta e me chateei ainda mais quando soube que tudo era em vão. Muitos pensamentos vieram ao meu encontro, a grande maioria fazia referência a tão comentada e aclamada “justiça divina”. Dentro do raciocínio logico, não fazia menor sentido esperar tanto para viver tão pouco, tudo parecia injusto... Algumas soluções começaram a surgir e calculei a possibilidade de colocá-las em prática.

A primeira solução foi enfeitar a casa com a maior quantidade de flores possível. Imaginava que se nós, seres humanos, amávamos as flores, o que dizer das borboletas? Assim o fiz, comprei flores de todos as espécies e cores, aloquei os ramalhetes na varanda do apartamento onde morava e esperei ansiosamente. Os dias passaram e não havia recebido qualquer visita graciosa das minhas amadas borboletinhas.

A segunda solução coloquei em ação quando estava fazendo minha caminhada matinal e, quase por milagre, encontrei um casulo se rompendo, em breve poderia ter a minha borboleta, faria daquelas 24 horas um dos melhores momentos da minha vida. Esperei impaciente por longos 15 minutos e nada, não me contive, dei uma “ajudinha” para que ela pudesse viver o dia mais feliz da minha vida. Contudo, mesmo após romper o casulo para ajudá-la, esperei mais alguns dias e ela não saiu, alguma coisa havia dado errado, não desisti.

As soluções seguintes também foram frustradas e frustrantes. Eu estava obcecada, queria viver o único dia de vida das borboletas como se fosse o meu último dia de vida, nada e ninguém poderia me impedir. Toda borboleta que avistasse voando livremente, tratava logo de capturá-la e protegê-la dentro de um pote de vidro, pois, sabia que em breve chegaria sua morte, não gostaria que nada de mal lhe acontecesse. Fiz isso por muitos anos e me tornei uma das maiores e melhores colecionadoras de borboletas da atualidade.

Jurava que tinha cumprido com minha missão de vida — salvar todas as borboletas que eu conhecesse — até que minha sobrinha de 5 anos me perguntou: Tia, você é uma borboleta? Aquela pergunta, tão simples, tão inocente, tão verdadeira, me fez chorar copiosamente durante 5 horas seguidas. Eu não era uma borboleta. Eu era uma assassina. Eu matei todas aquelas borboletas. Nenhum momento durante esses anos todos havia me colocado no lugar delas, fui egoísta ao decidir que aprisionar o majestoso inseto, seria a melhor solução para sua vida, julguei inútil a quantidade de horas advindas do seu esforço de romper o casulo, me aproveitei da sua fragilidade e me apropriei da sua vida juntamente com a sua beleza. O “tiro havia saído pela culatra”.

Com essa pequena analogia no texto de hoje, te faço o meu famigerado convite a reflexão. 

Nessa busca insana por autoconhecimento, vemos uma explosão no nicho mercadológico da “cura alternativa”, é cada vez maior o número de ferramentas e técnicas “milagrosas”. Todo profissional que se disponibiliza a cuidar do próximo, independente da área profissional, deve primeiramente cuidar de si mesmo e entender que cada um tem seu tempo e sua escolha. A linha que separa a caridade da vaidade é tênue, ajudar o próximo não significa se apossar da sua vida.

Quantas vezes, em nossa vida, somos egoístas, ingratos, vaidosos, arrogantes e prepotentes em nossos relacionamentos? Será que você está valorizando o processo de transmutação da sua borboleta? Estamos respeitando o processo das demais borboletas?

Somente uma borboleta pode saber o que é viver suas 24 horas de vida. Nós não temos o poder de mudar o outro. Podemos mudar a nós mesmos e automaticamente o outro muda por ressonância vibracional. Por mais que tenhamos amor pelas borboletas, não podemos aprisioná-las, temos que liberta-las. O arquétipo da borboleta simboliza a transmutação, a superação de dificuldade, o inseto ao romper o casulo, vence a si mesmo, se transformando de lagarta rastejante a uma majestosa borboleta voadora.

A lição mais importante do texto é ressaltar que todos nós temos o nosso momento de romper o casulo (zona de conforto) e voarmos livremente por aí (autoconhecimento), tenha paciência, tenha calma, tenha fé e se acolha! Independente se a borboleta for você ou não, mais cedo ou mais tarde, estaremos graciosamente presenteando diversos jardins com o nosso voo!

Vamos BORBOLETAR?



THAÍS ZANETTI
Fotógrafa e Terapeuta Holístico. Formada em Tecnologia da Logística Empresarial, possui MBA em Coaching em Liderança na Gestão de Pessoas. Atualmente se dedica ao Olhar Afrodite um projeto fotográfico que propõe uma reconexão com empoderamento pessoal. Palestrante, Reikiana e Consteladora, transformou a fotografia em ferramenta terapêutica e de cura da autoimagem.

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