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Chegando ou Partindo?

escrito por Ana Paula Del Padre
Que o frio nos faça lembrar que há também os dias quentes. Que o dia não nos deixe esquecer que a noite sempre chegará.

Que a solidão recorde-nos de como é bom estar junto. Que os nossos sorrisos não mascarem as lágrimas quando elas precisarem cair.

Que a lagarta de hoje será borboleta amanhã. Que hoje somos filhos, mas amanhã seremos pais. Que somos velhos agora, mas fomos jovens antes.

Que para levantar-se, é preciso ter caído. Que o arco-íris só dá as caras depois de ter chovido.

Que o silêncio pode ser bem-vindo onde outrora havia muito barulho. Que aquilo que começa um dia chegará ao fim. Que haverá novos começos.

Que na vida nada fica sem movimento, engessado, inerte ou estático. Que ciclos são eternos e nunca se fecham. Só recomeçam, de novo e de novo, e quantas vezes mais forem necessárias.

Reiniciam-se hoje diferentes do que foram ontem. Nem melhores, nem piores. Apenas diferentes.

A linha de chegada pode ser a nova linha de partida. Só vai depender de como a encararmos e de que lado colocaremos nossos pés: Se na chegada, como alguém que já correu o suficiente e cumpriu o trajeto, deu-se por satisfeito e decidiu parar.

Ou do lado da largada, da partida, como quem, apesar de já estar exausto e sem fôlego de tanto caminhar, muitas vezes com a sensação de não estar saindo do lugar ou estar na direção errada, mesmo com bolhas nos pés e sem ar para respirar, resolve, assim mesmo, recomeçar a trajetória, participar de mais uma etapa da maratona, afinal, nenhuma prova é igual à anterior, quem sabe desta vez as paisagens serão diferentes, os cenários mais encantadores, os passos podem ser mais leves, as companhias mais sorridentes e o caminho, enfim, menos árduo.

A decisão é nossa: a chegada pode ser a nova largada, basta estarmos com sede de viver e dispostos a deixar a vida nos surpreender!




ana paula del padre
Administradora. Capricorniana Mãe. Mulher. Intensa. Não necessariamente nesta ordem. Se encantou pela beleza das palavras desde cedo, mas, pelos atalhos no caminho, acabou seguindo outros rumos. Agora, aos 40, com o turbilhão de sentimentos que a maturidade traz, as palavras brotam sozinhas e espontaneamente. Adora desafios, filosofia, pôr-do-sol, abraços apertados, conversas longas e decifrar entrelinhas.


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