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Essa sensação nunca foi novidade pra mim

escrito por Beatriz Zanzini
Eu estava com dor, muita dor, mas seguia em pé, tentando acompanhar os teus passos largos e propositalmente rápidos.

Lembro-me de me sentir exausta (constantemente), mas tirava força não sei de quê para continuar ali... Até que um golpe, inesperado e que eu nem vi de onde chegou, me atingiu em cheio. Caí e permaneci por alguns minutos - ou talvez por horas - no chão, sem conseguir me levantar, alheia a tudo que acontecia ao meu redor, inclusive às vozes que se perguntavam como eu poderia estar tão ferida e por que eu não me levantava. Lembro também de notar, mesmo com a vista embaçada, os olhares curiosos e aqueles que pareciam transbordar pena.

Então, você me estendeu suas mãos para que eu pudesse sair dali. Fraca, tentei me segurar em uma delas, mas não senti firmeza nela. Insisti, tentando novamente, e o resultado foi o mesmo. Me senti, mais uma vez, esgotada. E sozinha. Mas essa sensação nunca foi uma novidade para mim.

Fechei os olhos, respirei fundo, recolhi o pequeno resquício de coragem que me restava lá no fundo e cravei minhas mãos no chão para pegar impulso e me levantar. Caí algumas vezes, mas em todas elas me machuquei menos que antes.

Insisti até conseguir sair dali, mesmo que me arrastando, mesmo sangrando, mesmo sem reconhecer a mim mesma pelo tamanho abandono que me permiti sofrer.

Então os dias foram passando. Alguns eram mais difíceis e longos, outros mais leves e esperançosos... Mas eu finalmente acordei. Finalmente cuidei das minhas feridas, fechei a porta para quem as causava e abri a porta daqui de dentro.

Aos poucos fui saindo da gaiola e me libertei por entender que amor não aprisiona, não machuca, não destrói.

E eu só fui capaz de entender isso quando me abracei, me pedi perdão e me permiti amar a mim mesma — incondicionalmente e em primeiro lugar.




beatriz zanzini
Jornalista, redatora e escritora paulistana. Apaixonada por hambúrguer, cerveja e animais. Tem dois livros publicados, um de prosa poética, o "Despindo-me em palavras"; e um romance, "O (re)começo depois daquele fim". Beatriz também é coautora do livro "Quando vivi de verdade", um romance com publicação prevista para novembro, escrito por ela e pela escritora Re Vieira. 

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