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O sucesso de Bom Sucesso

escrito por Mafê Probst

Leve, divertida, gostosa. Assim é a nova novela das 7, da Globo.

Eu nunca fui muito noveleira, mas, vira e mexe, uma novelinha me pega de jeito. A última vez que me vi tão envolvida numa história, foi quando assisti (e coreografei, beijos) a novelinha das empreguetes, Cheia de Charme, em 2012.

Bom Sucesso já me fisgou nas chamadas. Com a proposta de trazer o drama de "tenho pouco tempo de vida", a novela ofertou a reflexão de pensar no tempo que temos para viver e no tempo que perdemos, ao nos encaixar naquilo que os próximos e a sociedade espera de nós. Um clichê — e eu amo clichês. Todo clichê funciona.

Eu perdi a primeira semana da novela. Assisti pedacinhos aqui e ali enquanto fazia minha janta. Mas lembro o dia que assisti por mais tempo e me vi com os olhinhos vidrados na novelinha. Assim, busquei online assistir os primeiros capítulos — e foi um caminho, até então, sem volta.

Bom Sucesso tem diálogos ricos, muitos deles advindos de trechos de grandes obras literárias. É bonito assistir o Antônio Fagundes — Alberto Prado Monteiro — lendo para sua neta, clássicos infantis. É tocante ouvir os trechos (e repeti-los). É inspirador, num todo. Tanto o enredo principal, como esse mergulho no universo das editoras e dos bons livros, que nos dá vontade de abrir um livro esquecido na estante e retomar o hábito da leitura.
fonte: Rede Globo
Grazi Massafera está impecável. Eu choro vendo Paloma chorar. Eu sorrio, a maior parte do tempo, com estrelas nos olhinhos miúdos. Paloma teve seu exame trocado com o Sr. Alberto e achou que iria morrer. Nesses capítulos, é impossível não nos colocar no lugar da personagem e ficar imaginando o que faríamos se fosse nós naquele lugar. Do mesmo modo, não há como ficar sem refletir sobre a própria vida: por quê tendenciamos a fazer o que realmente queremos, quando não há mais tempo para fazer?

Num todo, a novela cativa. Os vilões são divertidos e cínicos. Não há nada na novela que seja exagerado e pesado, sabe? Ela é gostosa de assistir, cheia de falas marcantes e de vida. Não teria como não ser sucesso.

As cenas mais lindas, pra mim, aconteceram entre Paloma (Grazi Massafera) e Marcos (Rômulo Estrela), nos capítulos 4 e 5. Cheia de paráfrases dos livros Peter Pan e Alice, esse primeiro encontro do casal é apaixonante. Paloma se julga por fazer o que tem vontade e pergunta ao bon vivant se ele a acha louca. Ele, por sua vez, responde que a própria Alice pergunta isso no livro, ao Chapeleiro Maluco. "Sim, louca, louquinha. Mas eu vou te contar um segredo — as melhores pessoas são".



Pra mim não faz diferença se for verdade ou mentira, o que importa é você fazer aquilo que tem vontade, ser livre, mesmo se você não for morrer no dia seguinte.
[MONTEIRO, Marcos Prado]

Se deem a chance de assistir (e serem fisgados) por essa novelinha. Aposto que vocês irão terminar cada novo capítulo com vontade de ler (ou escrever, quem sabe?) um livro.



Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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