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Uma página do meu diário – A insegurança

escrito por Fernanda Amorim
Durante toda a minha trajetória – após passar pela fase da infância e me descobrir como ser humano agente da minha história – eu senti que faltava algo. Nunca me senti completa ao ponto de estar totalmente bem. Mesmo nos dias mais felizes da minha vida, uma pontinha de algo palpitava e eu não sabia o que era.

Não consigo recordar um momento em que tenha me sentido boa o suficiente ou ainda desejada em determinados ambientes. Sempre tive a impressão que a minha presença era descartável e tudo fluiria da mesma forma se eu não estivesse ali. Na família, na escola, com amigos. Nunca me senti “querida” o suficiente, “amada” o suficiente.

Durante a minha adolescência inteira eu cultivei um ódio por mim mesma, pois não entendia o que era esse “quê” que me faltava, muito menos o que eu precisava fazer para consertar tudo isso. Com a terapia eu aprendi a me amar, me cuidar e ter um olhar mais amoroso comigo e com todo o meu processo, mas ainda assim me sinto incompleta.

A insegurança me fez perder vários momentos, fez com que eu me escondesse do mundo e, por vezes, até de mim. A insegurança faz com que eu queira ficar trancada no meu mundo, me afastando de todas as pessoas que dizem querer meu bem – é que eu não consigo confiar quando alguém diz que tem sentimentos por mim e se preocupa comigo. Eu também não possuo confiança.

Eu duvido de mim mesma quando traço planos e objetivos, parece que há uma voz interna dizendo que eu não vou conseguir, que eu nunca vou chegar lá, que eu não sou merecedora e que, novamente, eu não sou boa o suficiente pra alcançar o lugar desejado.

A insegurança e a desconfiança cresceram de tal forma em mim que hoje parece que são elas que ditam a minha vida. E por mais que eu tente desviar a atenção desses pensamentos, eles acabam me mantendo escondida, retraída, no meu canto. Eu não consigo puxar conversas, não consigo me soltar em grupos, mal consigo cumprimentar pessoas desconhecidas. A voz que sempre se cala é camuflada pela justificativa da vergonha e por um “ela é mais na dela mesmo”, mas na verdade o peito tá borbulhando, cheio de sentimentos que me travam e me roubam de mim mesma.

A angústia contamina sempre que vou a lugares desconhecidos com pessoas jamais vistas antes. Eu não classificaria como vergonha, é medo. Medo por não ser segura, medo por não ser confiante e, por isso, medo de ser criticada e julgada a todo tempo, mesmo eu sabendo que isso é só coisa da minha cabeça.

E aí é que tá...é que da minha cabeça eu não posso fugir e é ela que me coloca nessa guerra que parece nunca ter fim...



fernanda amorim
Taurina com ascendente em touro. Intensa, sonhadora e teimosa. Formada em letras, professora de língua portuguesa, apaixonada pela vida e amante das palavras.

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