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VOCÊ MORREU E A DOR SE FOI

escrito por Laura Aquino
Está um frio danado aqui fora, sente? Me remete aqueles dias sombrios que nos despedimos para não voltarmos nunca mais. Só que a gente voltou... uma, duas, quinze vezes. Não podia estar mais errada quando usei palavras como “vou te esquecer pra sempre” ou “some daqui que não quero te ver nunca mais”. Porque era bem o contrário que eu queria dizer.

Acontece que todos esses términos e recomeços modelaram a gente de uma forma muito negativa. Me fragilizaram demais. Achava que estava era ficando mais forte, superando e que não ia permitir mais suas brincadeiras sem graça alguma, mas quando você chegava ficava tudo no passado e eu via o futuro inteiro com você.

Surpresa, foi com isso que a vida nos presenteou. Houve um acidente de carro, você não usava cinto de segurança – o que já era de se imaginar. E você partiu. Você morreu. E a dor se foi junto de ti. Até porque, me desculpa inventar toda essa história de morte, é que esse seria o jeito mais fácil de contar para as pessoas que a gente não existe mais. Agora sou só eu e você ficou para trás.

Minha mente pode inventar muitas histórias, eu sei, você sempre soube – mas a nossa... a nossa eu nunca acertei em nada. Então, o jeito mais fácil de te apagar de mim, era te matar como numa ficção fraca e sem clichês. Morreu. Bateu com a cabeça no poste e já era. Fiquei livre ali no mesmo instante em que te declarei a morte.

E fazia um tempo danado que não sentia a liberdade bater na minha face




laura aquino
Geminiana de Franca, interior de São Paulo. Apaixonada por livros, séries, filmes e música. Acredita que a arte move as pessoas para o que elas têm de melhor. Vive no mundo da lua e escreve seus devaneios num emaranhado de palavras que no finala acabam fazendo algum sentido. Ou não.

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