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Carta para a menina que fui (e ainda sou)


Menina, não chore escondida no quarto por medo de que o mundo não compreenda a tua dor.



Sei que às vezes o mundo parece cruel e injusto, mas às vezes ele também consegue ser mais acolhedor em um colo, um abraço ou uma simples conversa.

Menina, não se feche tanto assim por achar que talvez você não seja aceita. Se lá fora não forem capazes de te aceitar como você realmente é, faça isso você mesma, por si própria. Todos têm defeitos, como acordar de mau-humor de manhã cedo, mas o que te apontam como problemas em teu corpo, são apenas marcas que te diferem dos outros. Tu és única à tua maneira e isso só te torna ainda mais especial.

Menina, não se lamente por não ser correspondida nesta paixão que quase estoura o teu peito. A gente se apaixona com muita intensidade na primeira vez e, por isso, às vezes nos machucamos com esta mesma intensidade. Mas, acredite em mim: isso vai passar e estas lágrimas todas irão secar.

Menina, é lindo esse teu jeito de se preocupar com o outro, mas por favor, não se esqueça de se preocupar com você. Não se esqueça de cuidar das tuas feridas, de fazer as pazes com o espelho, de acalmar o teu coração que anseia uma aprovação que não é tua.

Menina, olhe mais vezes para o céu, esteja ele azul-claro, estrelado ou nublado. Feche os olhos, respire fundo e sinta esta força maior que te guia, ainda que você não a veja.

Menina, este ralado do teu joelho parece doer demais, mas ele será pequeno perto de algumas dores da alma. Por favor, seja forte para aguentá-las, mas lembre-se que, para isso, você também precisa colocar toda a dor para fora.

Alguns dirão que isso é fraqueza, mas você descobrirá que é justamente o contrário: se permitir sentir e expulsar o que explode aí dentro é sinal de força. E é libertador.

Menina, não importa o que eles dizem sobre a tua aparência. Tu és bela por tudo que carrega em ti, ainda que o mundo não perceba. Tu és pequena como um botão que não se abriu, mas tu tens tanto a desabrochar que ainda se tornará imensa.
Menina, as decepções nos rasgam por inteiro, mas elas são necessárias para o teu crescimento, para que você saiba que nem todos carregam o mesmo amor que existe aí dentro. Ainda assim, não deixe de amar. O amor é, de fato, a coisa mais bonita desta vida.

Menina, mesmo quando tudo desabar, mesmo quando você se sentir sem saída, descanse um pouco e recupere a tua força. Teus sonhos e tua fé te mostrarão que tu tens um propósito muito nobre aqui. Confie em mim.

Menina, hoje tu és uma mulher. Uma mulher que olha para si mesma enquanto repete todas estas palavras, abraçando e acolhendo a menina que um dia foi.

Mas, embora o tempo tenha passado depressa, muito desta menina ainda permanece aqui. É ela que me ensina sobre a alegria e o jeito leve e bonito, tão necessário, de brincar com a vida (em qualquer fase que ela esteja).




beatriz zanzini
Jornalista, redatora e escritora paulistana. Apaixonada por hambúrguer, cerveja e animais. Tem dois livros publicados, um de prosa poética, o "Despindo-me em palavras"; e um romance, "O (re)começo depois daquele fim". Beatriz também é coautora do livro "Quando vivi de verdade", um romance com publicação prevista para novembro, escrito por ela e pela escritora Re Vieira. 

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