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Mudar Faz Bem: não seja o cachorrinho perdido que cai do caminhão de mudança

escrito por Ana Paula Del Padre
Mudar assusta. Isso é fato. Duvido alguém dizer que não sente ao menos um friozinho na barriga diante de situações novas. É parte da natureza humana. Faz até bem, ajuda a nos impulsionar, serve de termômetro, protege-nos de sermos camicazes de nós mesmos. O que ultrapassa a barreira do saudável é quando o friozinho na barriga, as mãos suadas ou o medo do desconhecido e do que vem adiante serem fortes e predominantes a ponto de paralisar-nos, quando podem nos travar e nos impedir de agir e de fazer o que tem que ser feito.

Obviamente, quebrar ciclos constantes, encerrar padrões que acontecem há muito tempo, reverter situações que foram iguais a vida toda geram insegurança e questionamentos em nós: Será que vai dar certo? Serei bem-sucedido nesta nova empreitada? E se eu estiver me precipitando? Será que não estou me iludindo? E se eu quebrar a cara de novo? E por aí vai.

Mas fato é que só teremos tais respostas, se metermos a cara e irmos adiante. 

Assusta porque focamos só no resultado final e desmerecermos os créditos do caminho. Se der certo, ótimo, se não der, vamos ficar frustrados e concluir que fracassamos, que foi em vão, mas esquecemos que durante a experiência, podemos ter tido ganhos também: aprendizado, maturidade, sabedoria. Se isso tudo não é resultado positivo, o que mais seria?

E viva a teoria do copo meio cheio, uma das minhas preferidas! É libertador quando você treina sua mente (sim, isso é totalmente treinável, e não necessariamente nato) a olhar pelo lado certo, que motiva, ao invés de focar só na negatividade, nos aspectos que não funcionaram tão bem.

Há alguns anos, decidi mudar de cidade com a família, o que incluía um filho muito pequeno, trocando a capital cosmopolita por uma cidadezinha do interior, o que implicaria também deixar o emprego estável e formal por um tipo de trabalho mais autônomo. Fácil não foi, mas quem disse que viver é fácil? Nem tem que ser. Mas tem que ser feito.

Às vezes, a decisão de mudança é sua, às vezes as circunstâncias te obrigam. Sempre que fazemos escolhas, ou quando as escolhas nos fazem, existe uma tendência em superestimar o que será deixado para trás, em tudo o que iremos perder se...

Penso que o que me ajudou muito em minha escolha de mudança, anos atrás, foi fazer um exercício consciente, e bastante trabalhoso, em focar muito mais nos ganhos que a escolha me traria, ou seja, em tudo o que eu teria de vantagens e benefícios ao me mudar de cidade, ao mudar a forma de encarar o trabalho, e não em tudo que eu estava deixando para trás, em tudo o que eu não teria mais se seguisse adiante com aquele plano.

Obviamente, eu tinha ciência que as facilidades de uma cidade grande, em todos os sentidos, e a estabilidade de um trabalho formal, iam ser riscados de minha vida. Mas decidi focar no que eu estava de fato indo buscar com a mudança, em minha prioridade: qualidade de vida, tranquilidade, segurança. Não dava para ter isso tudo no mesmo pacote.

Acho nobre quem honra suas escolhas. E honrá-las significa também mudá-las, sempre que preciso for. Não há nobreza alguma em seguir com situações que não funcionam mais, em ser insistente naquilo que não faz mais sentido algum (e temos uma tendência em confundir insistência com persistência).

É maduro entender que jamais teremos tudo, que a cada passo para frente, automaticamente, ficarão coisas para trás sim, mas, em contrapartida, estaremos mais perto, a cada passo adiante, de onde não estávamos antes.

Mudar é bom, é saudável, é parte da evolução humana. 

 Assuma as rédeas e faça as mudanças que são necessárias, começando pelas mais simples. Seja sujeito ativo e não passivo. Acho frustrante quando alguém vê uma pessoa depois de muito tempo e diz: “nossa, você não mudou nada, está igualzinho há 10 anos.”

Meu objetivo é mudar muito, sempre, evoluir tanto, tanto, que aqueles que pensam que me conhecem, terão que ser apresentados a mim de novo.



ana paula del padre
Administradora. Capricorniana Mãe. Mulher. Intensa. Não necessariamente nesta ordem. Se encantou pela beleza das palavras desde cedo, mas, pelos atalhos no caminho, acabou seguindo outros rumos. Agora, aos 40, com o turbilhão de sentimentos que a maturidade traz, as palavras brotam sozinhas e espontaneamente. Adora desafios, filosofia, pôr-do-sol, abraços apertados, conversas longas e decifrar entrelinhas.

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