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Não romantize famílias tóxicas

escrito por Beatriz Zanzini

Não é nada bacana lidar com preconceito, machismo, ofensas e falta de respeito em qualquer cenário, que me dirá com família, que deveria ser aquela que nos ama e apoia incondicionalmente.

Eu amo minha família. Sou muito grata a todos que fazem parte dela porque, no mínimo, me ensinaram algo. Mas muitos me ensinaram exatamente o que não ser. Aliás, por diversas frases negativas que escutei em tantos Natais, me pego não suportando a data hoje.

Não foram poucos os comentários maldosos sobre quem estava gorda, sobre quem emagreceu demais, sobre quem foi demitido do trabalho, sobre quem não tirou uma boa nota na prova, ou até mesmo sobre o contrário, quando alguém obteve alguma conquista, mas logo em seguida veio o clássico absurdo do "não fez mais que a sua obrigação".

São por situações assim que nos tornamos inseguros. Que deixamos de valorizar nossas vitórias. Que perdemos a nossa autoestima. Que caímos em uma depressão ou em um transtorno de ansiedade.
Já me peguei, muitas vezes, evitando encontros familiares, por saber que eu escutaria coisas que não me agradariam e que machucariam alguém. E pior: nestas situações, a maioria das pessoas solta risadas e encara com se fosse tudo muito engraçado. Não é.


Não é engraçado criticar alguém pelo seu corpo.Não é engraçado controlar o quanto o outro come ou deixa de comer.
Não é engraçado perguntar quando vai casar, se já não é hora de ter filho ou sair de casa.
Não é engraçado tirar sarro de quem levou um fora ou foi demitido.
Não é engraçado condenar a nota baixa ou dizer que a nota alta é uma obrigação.
Não é engraçado cobrar presença e nem exigir que o outro tolere o intolerável.

Hoje, vejo que família de verdade é aquela que permanece mesmo ao nosso lado, nos dando força nas piores horas e se alegrando com as nossas conquistas.

O resto, infelizmente, são pessoas que ainda não descobriram o verdadeiro significado de família e, muito menos, do amor.



beatriz zanzini
Jornalista, redatora e escritora paulistana. Apaixonada por hambúrguer, cerveja e animais. Tem dois livros publicados, um de prosa poética, o "Despindo-me em palavras"; e um romance, "O (re)começo depois daquele fim". Beatriz também é coautora do livro "Quando vivi de verdade", um romance com publicação prevista para novembro, escrito por ela e pela escritora Re Vieira. 

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