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O início da cura

escrito por Fernanda Amorim

Ei, vem sofrer comigo. Senta aqui ao meu lado e me conte tuas angústias. Diga-me o que te aflige, põe pra fora todo sentimento ruim que te acompanha.

Fala-me das tuas lutas, conte-me das suas vitórias. Diga-me cada passo que você deu em toda essa tua trajetória que hoje te forma nesse ser tão complexo e carregado de experiências. Confesse-me, o que mais te dói hoje?

Ei, vem cá...não foge assim. Eu sei que esses pedidos fazem com que tua mente puxe todos aqueles gatilhos que já te fizerem querer desistir da vida, desistir de tudo. Mas deixa eu te contar, você não está sozinha. Pegue uma caixa de lenços, um caderno e uma caneta, senta aqui comigo e escreve tudo aquilo que te perturba.

Escreva em cada linha todas as tuas dores, escreva os teus sofrimentos. Dê nome a tudo aquilo que lhe traz péssimas recordações. Escreva o que te assola, relate o que te destrói. Linha por linha, vá revelando todas as tuas ruínas e fraquezas. É hora de se despir e entregar-se completamente nua a si.

Nua de julgamentos, nua de máscaras e bloqueios que te afastam da tua verdadeira essência.

Demore o tempo que for preciso, isso não é relevante. Escreva agora comigo. Escreva depois. Continue escrevendo no decorrer da semana...não importa. O processo de confissão das nossas dores pode ser realmente atordoante e tá tudo bem.

Reconheça aquilo que te aprisiona nessa cela que você construiu. O que te paralisa? Qual a crença limitadora que te faz crer que você não vá conseguir? Confesse. Confesse a si tudo aquilo que perturba os teus dias e te rouba noites de sono. Confesse e escreva, as coisas vão começar a se esclarecer por si só.

Quando se der por satisfeita e sentir que essa lista está completa, leia-a e releia-a. Mas saiba que é necessário desapegar, então desapegue. Queime a folha e veja o fogo consumindo toda a dor e todos os teus problemas. Pouco a pouco a folha se desfaz e o que restará são cinzas de toda a perturbação. Eu sei que nessa folha há muito de você, mas entenda que precisamos aceitar algumas de nossas despedidas.

Ei, vem cá...não sofra sozinha. 

O processo de cura inicia-se a partir do momento que confessamos e esclarecemos tudo aquilo que nos corrompe. Ei, vem cá...prometa-me escolher a tua bebida favorita e apreciá-la depois desse momento? Sente-se consigo e curta a sua própria companhia. Visualize as tuas dores indo embora, assim como a folha foi, dando-te a oportunidade de novos inícios e outros caminhos.



fernanda amorim
Taurina com ascendente em touro. Intensa, sonhadora e teimosa. Formada em letras, professora de língua portuguesa, apaixonada pela vida e amante das palavras.

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