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Para o alto... e além!

escrito por Ana Paula Del Padre
Sim, eu sempre quis vencer na vida. Aprender, estudar, praticar, melhorar, trabalhar, evoluir, aperfeiçoar, lapidar eram os verbos que eu mais conjugava.

Não me contentei em permanecer numa inércia que nunca me coube. Corri muito atrás de sonhos e realizações.

Sempre fui dessas almas inquietas, curiosas e interessadas. E sempre tive iniciativa para tirar as coisas do papel e trazê-las para o mundo real, à base de bastante proatividade.

Fiz sacrifícios, abri mão de algumas coisas em benefício de outras. Dei e ainda dou um duro danado.

Nunca fui ingênua em imaginar que a glória viria sem esforços. Sem noites em claro. Sem privação de desejos imediatos de curto prazo, em benefício do médio e, às vezes, longuíssimo prazo.

Preguiça raramente me dominou. Disciplina quase sempre foi minha companheira inseparável.

Perdi a conta de quantas vezes tive que dar, conscientemente, dezenas de passos para trás, para poder seguir um tiquinho adiante depois.

Desistir passou pela minha cabeça uma ou duas vezes somente, mas não me rendi em nenhuma delas. Busquei forças, às vezes não sei nem de onde, e segui em frente.

A subida rumo ao topo é extremamente íngreme, inclinada, árdua. Cansa. Leva à exaustão. Por vezes exige um fôlego extra que parece faltar à maioria de nós. Nem sempre nosso pique ou disposição são compatíveis com o ângulo de sua ascendência. Dá câimbra nas pernas e na alma.

Ah!!! Mas a vista ao chegar lá compensa tudo, faz todos os passos terem valido à pena. A vida nos presenteia com a vista da montanha que nós mesmos escolhemos escalar. E o que vejo daqui é lindo e inebriante, quase beira à perfeição.

Por um instante, hesito e titubeio, duvidando se caminhei pela estrada certa e, ao olhar para baixo, toda e qualquer incerteza se dissipa. Recebo a sentença e a certeza de ter feito a escalada certeira e precisa, de ter tomado a decisão mais correta possível. Afinal, avisto meus companheiros de jornada, um a um, chegando aqui em cima também, junto comigo, quase que simultaneamente. E concluo que chegar ao topo é exatamente isso: olhar para baixo e ver que consegui trazer os que estavam ao meu lado para cima, para o alto, para voarem comigo. Que eu não precisei pisar em ninguém para chegar aqui. E que não deixei ninguém para trás.

Isso me motiva a seguir escalando e a não temer abismos ou grandes alturas – nem o céu é limite para quem aprende ir rumo ao topo e para quem voa em bando!

“Esta manhã, antes de alvorecer, subi numa colina para admirar o céu povoado e disse à minha alma: quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos? E minha alma então disse: não, uma vez alcançados esses mundos, prosseguiremos no caminho”
— Walt Whitman




ana paula del padre
Administradora. Capricorniana Mãe. Mulher. Intensa. Não necessariamente nesta ordem. Se encantou pela beleza das palavras desde cedo, mas, pelos atalhos no caminho, acabou seguindo outros rumos. Agora, aos 40, com o turbilhão de sentimentos que a maturidade traz, as palavras brotam sozinhas e espontaneamente. Adora desafios, filosofia, pôr-do-sol, abraços apertados, conversas longas e decifrar entrelinhas.

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