icones sociais

Ser diferente e fazer a diferença

escrito por Tamiris da Rossi

Dia desses, em uma conversa com uma amiga, entre cenas cotidianas e reflexões profundas (que as vezes nos levam a um outro paralelo), falávamos sobre coisas extremamente destoantes que tem acontecido no século XXI.

E aí me dei conta, que a mesma sociedade que se questiona como é que o ser humano foi capaz de barbáries no passado — tais como queimar pessoas vivas e, diga-se de passagem, que muitas pessoas inocentes, vítimas de calúnias, de interpretações errôneas etc —, é a mesma que compartilha situações acusando pessoas sem ter certeza dos fatos, a mesma que decidiu ser mais espiritualista e virar vegetariana, por exemplo, e chama de assassinos meros mortais que se permitem o consumo de carnes e peixes.

E, que fique claro, nada contra os vegetarianos e veganos, compartilharem noticias ou qualquer que seja o estilo de vida que se decidiu seguir, ou o grupo a que pertence muito pelo contrário.

A questão é: Por que quando me torno diferente preciso descriminar os que são iguais? Ou porque quando faço parte do "time dos iguais" preciso descriminar os diferentes?

Por que precisa existir esta rivalidade?

Por que apenas não podemos dividir a mesma mesa aceitando que vemos o mundo de formas diferentes e que nas nossas diferenças nos tornamos iguais?

O preconceito, infelizmente, está dos dos lados, do lado da maioria versus minoria. E sim, da minoria versus maioria.

Sem perceber, às vezes, quando vamos defender uma causa, nos tornamos exatamente iguais aos que atacam aquilo que defendemos.

E se atacamos os que nos atacam, será que somos assim tão diferentes deles?

Ou apenas temos as mesmas atitudes, mas de lados diferentes da moeda?

Às vezes, em nossa caminhada, resolvemos tomar uma nova postura frente algumas situações, mudamos nossa forma de ver as coisas e aí o que até então considerávamos ser certos, passa a não ser mais. Não que talvez seja errado, mas a partir daqui resolvo fazer de uma nova forma.

E sim, posso tentar mostrar aos outros minha nova perspectiva, mas, não posso exigir que eles vejam da forma que vejo agora, porque eu mesmo, até ontem, via como eles.

Somos humanos, únicos, irrepetíveis, diferentes, acabamos nos aproximando daqueles que mais se parecem conosco, acabamos nos "agrupando", buscando defender direitos, fazer mudanças, tornar o mundo melhor...

Mas, a maior e mais significativa mudança começa e termina em nós mesmos, em nossa forma de ver o mundo e de por vezes, conseguir entender que o outro não me entende e que ele quer ter uma vida diferente da minha.

Que ser diferente não é ser rival, não é ser melhor, nem ser pior, que é apenas diferente e que é essa diferença que faz o mundo ser mundo.

E o mais importante no caminho da espiritualidade é respeitar o mundo do outro, as decisões dele, e deixar o que é dele com ele, porque quando me preocupo com o caminho dele e suas escolhas, quem é que está cuidando do meu?



TAMIRIS DA ROSSI
Uma eterna apaixonada por pessoas, palavras, pela vida e seus mistérios. Uma alma em construção, que vive com AMOR por AMOR e acredita que ele é a única força capaz de mudar o mundo..

Comentários

Instagram