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Era julho...


Era uma noite procedida desses dias cinza, sexta-feira, final de julho. Virei a esquina como quem não sabe o que a rua aguarda, tão pouco saberia dizer o que nos aguardava. Coração ofegante e mãos tremulas entregando a ansiedade que tanto me acompanha há tempos. Cerrei os punhos não com ira, mas na esperança de que você não percebesse toda a euforia que havia em mim.

Não saberia dizer porque estava ali, mas fui enfrentando todos os medos que me assombram e as incertezas que me paralisam. Em julho eu não sabia porque, hoje eu sei.

A poucos metros, te vi parado no portão, certamente aguardando a minha chegada. Não calculamos horas, pois passamos poucas delas trocando algumas palavras que foram suficientes para brotar uma coragem genuína dentro do meu peito.

Em julho eu não sabia porque, mas hoje eu sei que não estava indo ao encontro de um homem qualquer que me abandonaria dias – ou horas – depois, inventando uma dessas desculpas que a gente tanto está acostumada a ouvir, ou simplesmente sumindo e deixando de responder mensagens e de atender ligações.

Em julho eu não sabia, hoje eu sei que também não estava indo ao encontro do grande amor da minha vida, por quem me apaixonaria e iniciaria um relacionamento poucas semanas depois. Eu não sou dessas, muito menos você.

Em julho eu não fazia ideia, mas hoje eu sei que, na verdade, eu estava indo ao encontro da pessoa que me apresentaria o meu novo eu. E, diga-se de passagem, muito melhor nos encontrar do que cair nas garras de um falso ou novo amor.

Talvez de fato por um bom tempo eu desejei que fosse paixão, interesse, fogo, ardor. E foi. Mas não somente. Foi uma reviravolta dentro do meu peito que me presenteou com novo sentir, prazer e querer.

É que você não é igual. Muito menos eu. Não fomos resultado de todo um coletivo que vive se realizando todas as semanas. Fomos construção única, uma junção de nós tão peculiar que não caberia a mais ninguém.

Era julho e não poderia ser classificado como um desses amores de verão. Mas é que a gente passa longe de clichê, então prefiro que seja um desses amores de inverno.





fernanda amorim
Taurina com ascendente em touro. Intensa, sonhadora e teimosa. Formada em letras, professora de língua portuguesa, apaixonada pela vida e amante das palavras.

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