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Era você

escrito por Rebeca S'tiago
Era você, poxa. Mesmo que eu nunca tenha acreditado em alma gêmea, astrologia ou no poder do universo de unir quem tem que ficar junto, o teu esbarrão fez tanto de mim que não inventaram palavras pra descrever poesia assim tão verdadeira. O moleque que te disse oi não tem nada a ver com o homem que te viu ir embora.

Eu não fazia ideia de que a tua entrega era única. O que eu sabia da vida? Eu vestia a minha arrogância e sempre me senti melhor do que todo mundo. Então era óbvio que você não era assim tão imperdível e que ia ser fácil te substituir. Nunca tive agrado pra dor de amor, mas, de todos os meus erros, te perder foi o maior deles.

Você era poesia recente e sabia o que queria, um mulherão desses bicho - assim que acreditasse em si mesma. Por isso quando você disse tchau e que não tinha tempo pra perder com quem passeia na vida, eu ri e fiz menos de você. Eu, que sempre tive a vida ganha, debochei de você que estava na batalha pra empatar.

Mas o que eu sabia? Eu via que o teu comportamento maníaco de controlar tudo o tempo todo era a tua única maneira de seguir em frente. E só o teu adeus trouxe contexto pra eu finalmente te entender. Não tem como fazer um moleque privilegiado perceber a tua luta, então era óbvio que você era quem estava perdida e não eu.

Como pode isso de fazer pouco caso de mim e dizer que era pra eu tomar jeito e virar homem? Logo eu, mais homem do que todos os outros que cruzaram o teu caminho. Achei que era pra eu ser parte disso, sabe? De te ver evoluindo de rascunho pra poesia finalizada. Então você ir embora foi o tapa na cara que precisei.

Mas era você, poxa - acho que sempre foi.

Agora a vida tomou jeito, eu já sei o que quero, e carrego essa saudade pelo barulho da tua gargalhada comigo. Finalmente virei homem, parei de passear na vida e volta e meia acredito que o universo vai unir quem tem que ficar junto. Vai que assim, o homem que sou hoje, esbarra em você?



rebeca s'tiago
Aquela que fez da escrita o próprio divã. Crítica da vida alheia nas horas vagas. Curte um bom texto, vinho e jogar conversa fora. É viciada em paçoca e risadas. Tem coração bobo, cabelo pintado e desastres acumulados na cozinha. Atualmente mora em Sydney, Austrália.


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