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FRÁGIL, COMO UM DENTE-DE-LEÃO

escrito por Mafê Probst
Sempre me escondi no meio das palavras. Acho que me sinto mais confortável nas entrelinhas, sabe? Sou campeã em deixar as coisas subentendidas, ou tudo por dizer — das minhas manias, a mais triste.

Quando escrevo, sempre me escapo. Falo demais até. Secretamente, é como se soubesse que as palavras podem ser fantasiosas e imaginativas. Quem é que compra a veracidade daquilo que é escrito? Quem arrisca acreditar que todas as vírgulas, preposições e pontos finais são sinceros e reais? Fica o dito pelo não dito, a pulga atrás de orelha e eu nua. Despida nas letras que finjo que não são minhas; crua como deve ser.

Não lembro quando isso tudo começou, talvez eu sempre tenha sido assim. Construí uma carcaça que parece intransponível, desenhei uma armadura de papel crepom e vesti. Não pode chover, senão mancha tudo, vê? É tudo frágil – eu só finjo que não.

E, de tanto fingir, quase que acredito nessas mentiras. Nas que conto, e nas que finjo que conto, quando tento disfarçar que estou sem armadura nenhuma, quando tento me esconder e fingir costume. Eu não sei lidar com uma porrada de coisas, mas finjo bem. Firme e dura; quase fria.


Mas me derreto nas palavras. E minto que não sou eu, que é para – de mim – ninguém saber...



Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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