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Labirinto

escrito por Ana Paula Del Padre
Tudo ia bem, seguia um fluxo maroto, gostoso, um embalo dos bons. Até que...

Ah, por que a vida não segue sempre um ritmo linear, um fluxo ascendente, né?

Sonhei contigo essa noite, e, de novo, foi daquele tipo de sonho que de tão real, chega a ser palpável: tinha cheiro, gosto, sabor.

E cá estou, nostálgica, saudosa, um bocadinho melancólica até eu diria. Já me flagrei pensando em ti hoje mais vezes do que eu normalmente me permitiria.

Ouvi seus longos discursos falando de filmes e política. Lembrei do timbre da tua voz: ela falava baixinho, ao pé do meu ouvido.

Lembrei do cheiro do teu perfume e recordei que ele, sozinho, nem era tão bom assim, mas combinava perfeitamente com a tua pele, adorava te abraçar para poder sentir aquela mistura fragrância – corpo cravada no teu pescoço.

Lembrei do teu sorriso tímido, daquele jeito encabulado e acanhado que você se permitira sorrir. Só hoje tu me sorriste infinitas vezes.

E, enfim, lembrei da tua presença, aquela que um dia foi constante, fixa, contínua e me deu a falsa impressão de que seria perpétua.

E constatei, meio a contragosto, que ela ainda me faz falta vez ou outra, como hoje, como agora.

Recordei que você segurava minha mão para me acalmar, e senti saudade do seu toque também. Caramba!

E lembrei do teu olhar e de como durante tanto tempo ele me guiou. Você me fitava de tão perto que chegava a me impedir de respirar, e me olhava de longe também, como quem quisesse se certificar de que eu estava bem. E sinto falta dos teus olhos pousados sobre mim neste exato momento.

Mas, ainda bem, acabo de me lembrar que a vida não segue de maneira alguma em linha reta, e me acalmo, na certeza de que amanhã tudo voltará a ser como ontem, como antes do sonho, e, então, não mais me lembrarei de ti ou de sua presença, e retornarás ao papel efetivo que tens em minha vida: o de eterna ausência.




ana paula del padre
Administradora. Capricorniana Mãe. Mulher. Intensa. Não necessariamente nesta ordem. Se encantou pela beleza das palavras desde cedo, mas, pelos atalhos no caminho, acabou seguindo outros rumos. Agora, aos 40, com o turbilhão de sentimentos que a maturidade traz, as palavras brotam sozinhas e espontaneamente. Adora desafios, filosofia, pôr-do-sol, abraços apertados, conversas longas e decifrar entrelinhas.

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