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PROVE A BAGUNÇA QUE SOU EU

escrito por Mafê Probst
Não sei, e nem quero, explicar o que vem acontecendo aqui dentro. Vira e mexe me vejo perdida na minha própria bagunça e provando do meu próprio caos. Não é fácil ser eu, às vezes. Confusa, dramática, exagerada. Sou feita de intensões e intensidades; e, pois bem, até a desordem é intensa e grandiosa demais.

Eu não sei sentir de forma mediana. Não sirvo para ficar em cima do muro, entre o gosto e o desgosto. Comigo é tudo lá ou cá, entende? Se gosto – gosto muito, gosto de fato, gosto como se gostar fosse a última coisa que fosse fazer na vida. E se não gosto, devolvo na mesma intensidade. Vezenquando trato com educação, porque a vida exige. Vezenquando (a melhor parte), não convivo – e tudo fica bem.

Mas eu não sei só conviver; eu não sei só amornar.

E quando eu forço um dar de ombros, quando tento engolir um ‘tanto faz’, vira essa bagunça que me consome e esse excesso de mentiras engolidas sem água. Ou vinho. Tanto faz. Eu sou boa demais em contar mentiras pra mim mesma, eis um fato. E sou boa demais em me forçar acreditar nelas – mas tudo não passa de teatro.

Sei lá, quando a noite chega e o silêncio consome, fica só eu e minha consciência acordadas. Olhamos para o mesmo teto, colocamos a mão sobre o peito, sentindo o subir e descer da respiração. E a gente dá uma piscadinha sabendo que fingimos bem uma para outra, sabendo que amanhã seguiremos nessa bagunça e que sustentaremos inverdades.

Eu sei e talvez até arrisque explicar o que vem acontecendo aqui dentro. Mas finjo que não – e que não quero.




Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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