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tempo perdido

escrito por Mafê Probst
a tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos...

Não gostou do que viu, não estava preparada pr'aquilo. Sei lá, ela tinha ensaiado uma porção de possibilidades, mas nenhuma chegava aos pés do que, de fato, foi. Ela bem sabia do risco que corria e estava disposta a corrê-lo. Tinha desenhado cada passo, tinha imaginado cada cenário, tinha rascunhado cada reação... Mas foi tudo intenso demais, sabe?

Assim que se aproximaram, o frio percorreu a espinha. Ela já não mandava mais nas próprias ações e tinha esquecido tudo que havia ensaiado. Ele carregava o sorriso no rosto e tinha olhos densos e profundos – ela poderia facilmente mergulhar e se perder ali.

Ele gostava de encarar, enquanto ela fugia desviando os olhos. Tinha tanta verdade enraizada naquela pupila, que ela não suportava ver. Quando ensaiou frente ao espelho, via aquilo que queria ver, mas ali, refletida naquele mar castanho, enxergou a parte de si que escondia.

Ele tinha olhos de quem queria viver. Enquanto ela tinha olhos, medrosos e covardes, de quem fugia da vida.



Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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