MINHAS FASES DA LUA

Aprendi a respeitar meu ciclo. Sou feita de fases como a lua, ora tão intensa e chamativa, ora querendo me ocultar – embora sempre lá. Apesar de, tenho a lua leonina levemente exibida, levemente querendo aparecer.

Demorei para entender meus momentos e abraçar minha introspecção. Demorei para entender que tudo bem eu não estar na minha maior forma, mais imponente e radiante. Demorei para compreender que tudo bem não estar bem, não querer aparecer e tudo mais do que bem esconder algum lado obscuro. Assim como a lua, tem um lado meu que ninguém nunca vê – e aposto que você coleciona algumas escuridões também.

É preciso paciência, sabe? Entender que tudo tem sua hora, que todas as partes de mim tem seu momento e que não adianta atropelar e acelerar, porque não funciona.

Querer adiantar o ciclo natural das coisas é o que desencadeia ansiedade – e uma série frustrações.

Assim como nem toda lua cheia brilha em céu sem nuvens, vezenquando também estarei na minha melhor forma e, ainda assim, o céu estará nublado para ninguém me ver. O mundo nos esconde vezenquando – e tudo bem. A gente quer se esconder – e tudo bem também.

É preciso parar e respirar.

Interiorizar os sonhos, entender as vontades, canalizar as energias para dentro de si. Materializar as ideias. Idealizar o amanhã. Faz-se necessário reconectar com o eu interior, fazer as pazes consigo, realinhar o ciclo.

Amanhã, 10 de janeiro, é noite de eclipse lunar. A lua vem linda, mas será escondia – e nem por isso deixará de ser uma noite bela, nem por isso deixará de emanar sua energia. Pelo contrário, a troca energética é absurda. Aproveite essa lua escondida, para esconder dentro de si e conversar consigo mesma. Aproveita essa energia para renovar a sua. Para lavar a alma, tirar poeira dos sonhos e tornara a trilha mais vívida diante dos teus olhos.

Aproveita para recarregar. E recomeçar.




Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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