MOÇO, É TÃO FÁCIL TU ME GANHAR


Meu sinônimo preferido de jogo sujo é você.

Há um completo universo instigante dentro de cada olhar teu, tu é uma incógnita lotada de sensações que eu faço questão de querer desvendar.

É diferente o jeito que tu me fita e o modo como tua boca bonita, sem timidez alguma, comprime nos lábios a saudade de tocar a minha, deixando tua vontade cada vez mais explícita. Como de uma hora para outra teu lábio pedindo beijo se escancara num sorriso largo, numa jogada certeira, com a pretensão escondida de me atrair ainda mais para perto.

E que sorriso, moço, que sorriso!

Droga, tu me ganha sem sequer dar chance de entrar no teu jogo direito. É como uma estratégia estritamente planejada num jogo de xadrez: tu sorri para mim depois de quase me ter nas mãos com êxito só no olhar.

Eu perco a noção de espaço, o mundo vira um complexo desfocado e, embora o tempo passe, só consigo pensar em brigar com o relógio para reduzir o intervalo dos segundos ao máximo para, só assim, poder admirar tua boca se mover lentamente ao me chamar pra perto e o calor do teu corpo se chocar com o meu.

Não sei o que tu faz comigo, qual é a desse imã invisível que não repele nem um pouco minha pele da tua, só aproxima. Essa tua mão boba a passear pelo meu corpo, dócil, porém firme o suficiente para me fazer pensar besteira também, é algo que não me deixa querer fugir.

Tu faz jogo sujo comigo, moço.

Me ganha enquanto eu me perco entre teus dedos enrolados no meu cabelo, que encaixam minha cabeça para o lado, abrindo espaço pra tua boca arrepiar meu corpo todo num beijo covarde no pescoço. É estranho o frio na barriga que congela e faz tremer involuntário na tua presença e aquele vazio oco no estômago que eu conheço — e não é fome.

É tão bom ficar ali, estagnada no tempo, aconchegada no teu abraço, te deixando formar constelações com a ponta dos dedos em cada detalhe meu que tu contorna, enquanto eu finjo alguma atitude só pra disfarçar que nos teus braços ainda não me derreti por completo.

É gostosa a sensação que tu me trás e a forma como eu te deixo me conduzir só pra poder fazer o mesmo mais tarde. É bonita a nossa briga de olhares lotada de uma intensidade recente, tão profunda, ou os sorrisos que surgem colidindo beijos que se alteram entre punhados de carinho e desejo.

Nosso nós é um jogo sujo que tu faz sem precisar e eu nego competir.

O que tu não sabe, moço, é que é tão fácil tu me ganhar, pois eu faço questão de me perder completamente em ti.



gabrielle roveda
1997. Escritora de gaveta, bailarina por paixão e sonhadora sem os pés no chão. Do tipo que vive mais de mil histórias pelas páginas dos livros, daquelas que quer viajar o mundo só com uma mochila nas costas, do tipo que acredita no amor a todo custo e dispensa de imediato pessoas sem riso fácil. Não sabe fazer nada direito, mas insiste em acreditar que o impossível é só uma daquelas palavras que vão cair em desuso e se vê tentada a tentar de tudo. Viciada em café e em escrever cafonices sobre si e o amor sem dizer nada ao certo. 

1 COMENTÁRIOS