Somos os nossos maiores críticos e, quase sempre, somos assim por expectativas que nem sequer são nossas



Sessão de terapia” é uma das minhas séries favoritas. Nesta nova temporada, uma das pacientes do psicanalista Caio (interpretado por Selton Mello) é uma atriz e comediante famosa. Chiara (interpretada por Fabiula Nascimento), que se esconde atrás da persona pública.

É claro que, ao decorrer da série, descobrimos o real motivo por trás desta defesa, mas não quero dar spoiler. A intenção aqui é compartilhar uma reflexão que me surgiu após finalizar a história de Joana (ao assistir, você entenderá a mudança do nome aqui).

Você se recorda de algum momento em que precisou calar o que sentia?

Se recorda de alguma situação em que precisou deixar a sua essência de lado, interpretando uma outra pessoa? Se recorda de algum dia em que disse ou fez algo pela pura necessidade de agradar ao outro, anulando a sua real vontade?

Se recorda de alguma vez em que se olhou no espelho e não se reconheceu?

Acho difícil alguém responder “não” para as quatro perguntas.

Não é surpresa para ninguém que às vezes precisamos nos “adaptar” em sociedade, abafando sensações e pensamentos que surgem dentro de nós. Porém, eu (me) pergunto: qual é o limite desta "adaptação"?


Quanto você já deixou – e ainda vem deixando – de ser você mesmo, de tanto que te vestem uma roupa que te aperta e não te cabe, mas que permanece em seu corpo?

Eu, particularmente, acho que esta é uma das grandes justificativas para essa onda de transtornos mentais: a perda da identidade. O medo de ser quem você realmente é, pelo anseio de uma aprovação externa.

O tão falado amor-próprio vai muito além de apenas não aceitar uma relação que não te faz bem e que te impede de crescer: mais que isso, ele é o ato de se acolher e se aceitar, se libertando para ser quem você realmente é.

O mesmo serve para a tão falada empatia, que é fundamental não só ao olhar para o outro, mas também ao olhar para si próprio. Por isso, reflita sobre o que você carrega, sobre o que é realmente teu e o que não te serve mais.

Reflita sobre quais sentimentos você vem sufocando, quais dores vem negligenciando e o quanto se cobra por exigências que não são tuas.

“Você é a sua maior crítica”, diz o psicanalista Caio, em um determinado momento, para a sua paciente.

De fato, geralmente, somos nós os nossos maiores críticos e, quase sempre, somos assim por expectativas que nem sequer são nossas.



beatriz zanzini
Jornalista, redatora e escritora paulistana. Apaixonada por hambúrguer, cerveja e animais. Tem dois livros publicados, um de prosa poética, o "Despindo-me em palavras"; e um romance, "O (re)começo depois daquele fim". Beatriz também é coautora do livro "Quando vivi de verdade", um romance com publicação prevista para novembro, escrito por ela e pela escritora Re Vieira. 

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