Tudo é cíclico


A vida é cheia de ciclos. Inícios & fins. Chegadas & partidas. Tudo um dia finda, mesmo sem querer findar. O tempo vai correndo e nos escapando da mão, o mundo, sendo mutável, vai tomando outras formas, seguindo outro rumo, mudando de prumo – as pessoas, consequentemente, também.

Muda-se o corpo, muda-se a mente, muda-se o gosto. O paladar fica mais aguçado, procurando provar novos sabores; os ouvidos imploram por novas músicas, novas melodias, novos tons; os olhos, sedentos e curiosos, querem novas paisagens, querem repousar em novos horizontes; as mãos procuram novos livros, novas texturas... Acontece tudo de forma muito fluida, quase sem querer.

Quando se percebe, já mudou muito. Quando se percebe, o caminho trilhado é outro. Quando se percebe, a compra do mercado carrega outros itens. Quando se percebe, o guarda-roupas tem novas modelagens. Quando se percebe, a playlist carrega novas músicas; a escolha no delivery é outra; as recomendações de séries e filmes tem estilos completamente diferentes do indicado anos antes... Quando se percebe, o espelho reflete uma nova pessoa, cheia de novos sonhos e novas perspectivas.

Assusta perceber que tudo é cíclico: inclusive a gente.

Assim como é preciso aprender do mundo, que muda o tempo todo, é preciso ainda mais aprender sobre o tanto que mudamos. Estender a mão e se apresentar para si outra vez. Ser gentil nesse processo de mudança, porque ninguém muda por querer. As escolhas vão mudando de forma gradativa – e feliz daquele que percebe esse processo, porque espanta menos. É mais fácil quando se acompanha, de forma muito consciente, a mudança; ao invés de não se reconhecer diante do espelho.

Todo mundo é um ciclo.

Alguns ciclos são mais longos, outros curtinhos que nem dá tempo de se apegar. Tudo tem início e fim – inclusive você. Desapega do que acabou, por qualquer motivo. Não se lamente por muito tempo, porque você também é um ciclo que está mudando, você também não é mais a mesma pessoa, você também vai findar e recomeçar...

E está tudo bem.





Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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