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VOLTOU À VIDA


O tempo (ou seria a vida?) tem corrido em demasia. Pouco olho no olho, mais olho na tela pequena, ora brilho no máximo, de repente brilho nenhum pelo cansaço, excesso. Não se lembrava da última vez em que, de fato, havia se olhado no espelho, por dentro. Com carinho, sem pressa.

Não reconhecia o que dela era, o que havia pegado de todas as outras pessoas que por sua vida haviam passado. Se viu numa distância tanta que parecia se perder, escorrer pelos dedos. Entendeu a exaustão, viu-se fugindo de tudo o que não pertencia a ela.

O que era o tempo? Quem é que saberia quem ela era?


Correu no mercadinho da esquina, abasteceu a geladeira, o armário e jogou fora coisas que estavam no guarda-roupas (inclusive o carregador do celular).

“Vou viver um pouquinho fora de órbita”, disse a si mesma. Ligou no DVD músicas da infância, de quando não tinha mensagem no Whatsapp o tempo todo, nem ligações cobrando presença. Cantou como se não houvessem boletos. Nem estranhamentos nas relações.

Você deve estar se perguntando se ela encontrou alguma resposta, se reconheceu-se... mas não, ela se livrou dos questionamentos, de algumas profundidades para viver aquele pequeno instante. Afinal, a vida não para, mas ela pôde — e recarregou-se.




laura aquino
Geminiana de Franca, interior de São Paulo. Apaixonada por livros, séries, filmes e música. Acredita que a arte move as pessoas para o que elas têm de melhor. Vive no mundo da lua e escreve seus devaneios num emaranhado de palavras que no final acabam fazendo algum sentido. Ou não.

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