EU MAL CONHEÇO VOCÊ

Eu mal conheço você. Fala sério, tudo o que eu sei foi o que você quis que eu soubesse - pateticamente um clichê que aceitei. E agora carrego um pedaço teu rascunhado pela minha mente bagunçada, com um pouco do que você mostrou e todo o resto que inventei. Como pode isso, de pegar um rascunho seu e transformar em obra acabada?

Não é como se fosse estivesse pronto, poxa. Eu sei que você cravou os pés no raso e não quis mergulhar - bem o contrário de mim. Mas me diz, o que você queria que eu fizesse depois dos teus olhos tratarem bem a minha alma? Sim, eu quis mergulhar em você e nesse nós dois inventado sem nem pensar duas vezes.

Eu mal conheço você. E ainda assim tem essa presença sua que não me deixa em paz. Levo comigo pra todo canto esse vício de querer saber mais de ti e querer que você me queira. Meio patético porque está claro que não tem espaço pra nós dois - mesmo inventando o que não está lá pra ser vivido.

Não é como se eu estivesse pronta, poxa. Eu só quis garantir os teus olhos fixos em mim porque isso me fazia bem demais. Você foi o respiro que precisei enquanto eu sufocava na minha própria tempestade. E mesmo imersa no fundo dessa ilusão onde eu quase não via a tua realidade, eu me permiti te fazer morada.

Eu mal conheço você. Fala sério, não faz sentido carregar memórias do que não aconteceu e muito menos te deixar aqui dentro de mim quando lá fora você já nem existe mais. Eu não sei quem você é e não consigo entender o motivo dessa angústia que a tua falta traz. Curiosidade de como realmente teria sido nós dois? Talvez.




rebeca s'tiago
Aquela que fez da escrita o próprio divã. Crítica da vida alheia nas horas vagas. Curte um bom texto, vinho e jogar conversa fora. É viciada em paçoca e risadas. Tem coração bobo, cabelo pintado e desastres acumulados na cozinha. Atualmente mora em Sydney, Austrália.


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